• Reportagem por:
  • Ana Luísa Alves

Eles gerem as carreiras e imagens de figuras públicas. Mas como?

A Notable, a Keep it Real, a Milenar e a Madmen estão na vida de muitas celebridades nacionais, na gestão da carreira e da imagem. O ECO falou com as quatro e explica-lhe como é que tudo acontece.

Costuma dizer-se que, longe da vista, longe do coração. Por isso, cada vez mais a carreira, e sobretudo a imagem, das figuras públicas em Portugal é pensada ao pormenor. Cada passo dado é gerido no sentido de as aproximar mais do público que as segue e quer saber mais das vidas que existem longe das luzes da ribalta. Mas esta gestão não é feita de uma maneira qualquer. Por trás de uma figura pública está, por norma, uma agência.

A Notable trabalha a gestão de carreira e imagem de algumas das caras mais conhecidas do país. Falamos de Cristina Ferreira, Rita Pereira, Pedro Teixeira, Isabel Silva, Ana Rita Clara, Helena Isabel, Tiago Teotónio Pereira, Carina Caldeira e Ana Bravo.

“Os talentos com quem trabalhamos podem vir de várias áreas. Também procuramos trabalhar com marcas, como a LR Health & Beauty Portugal, Magnum Portugal, ou a Hair Fusion, porque temos o know how grande nesse sentido”, explica Inês Mendes da Silva, fundadora e CEO da Notable, em entrevista ao ECO.

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Na Keep it Real, outra agência, os clientes chegam normalmente por referência de outros colegas de trabalho. “Quando começámos a trabalhar com a Catarina Furtado, em 2012, convencemo-la da importância das redes sociais, que a podiam aproximar do público, e começámos a receber outras propostas de trabalho”, conta João Pedro Ferreira, CEO da empresa.

Hoje em dia, embora ainda focada nas personalidades da área do entretenimento, a Keep it Real gere a carreira do ator Diogo Infante, da apresentadora e também atriz, Diana Chaves, do locutor de rádio e apresentador de televisão Vasco Palmeirim, dos cantor Anselmo Ralph e Rui Drummond, entre muitos outros. Mas não se pretende ficar por aqui: “Estamos a fechar umas propostas, e talvez comecemos a trabalhar com mais figuras públicas”, refere. Mas o que é preciso para gerir a carreira e a vida destas pessoas?

Sempre em contacto

Gerir a carreira e a imagem de figuras públicas implica estar presente na vida delas. E estar presente é saber a que reuniões vão, em que horários trabalham, tudo. “Falamos diariamente com os nossos clientes. Somos o apoio, não só na parte da gestão das redes sociais como um apoio digital em tudo o que necessitem”, explica João Pedro Ferreira ao ECO.

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João Pedro Ferreira, Keep it RealDR

“Sei a que horas tenho de falar com cada um dos meus clientes, mas todos têm horários diferentes. Ao estarmos sempre em contacto, tentamos ter um trabalho mais personalizado e mais de consultoria”, refere Inês Mendes da Silva. “É preciso haver uma gestão muito bem feita entre as expectativas dos talentos e as pessoas da agência, e aquilo que a agência vai ser capaz de fazer. É preciso fazer uma gestão minuciosa”, acrescenta. Mas para quê?

Um dos grandes objetivos com esta gestão de carreira e imagem é, segundo as quatro agências, aproximar as figuras públicas do público. “Mostrar um lado que não é mostrado. A televisão ou o palco não mostram um lado mais humano que as redes sociais podem revelar. É nas redes sociais que se consegue uma ligação mais direta com o público, porque através de um gosto torno-me ‘amigo’ de alguém”, sublinha o CEO da Keep it Real.

“Há vários objetivos a alcançar, e isso tem de estar definido desde o início. Quando um talento procura uma mudança de imagem, rebranding, conquista de novos projetos, angariação de novas parcerias publicitárias, gestão de patrocínios, consultadoria, planeamento estratégico a médio e longo prazo, são varias as razões por trás”, contrapõe Inês Mendes da Silva.

Do “offline” para o online

“É preciso otimizar a imagem dos influenciadores com quem trabalhamos”, explica Ana Marques, da Milenar, a agência que se dedica à gestão da presença online das figuras públicas mais influentes nas redes sociais, um investimento cada vez maior por parte das agências. E quem diz o online diz o YouTube, os blogues, e, consequentemente, a emergência de youtubers e bloggers que conquistam, com o passar dos meses, milhares e milhares de seguidores.

“Posicionamo-nos como ‘media de influência’. O que fazemos é permitir às marcas que sejam comunicadas pelos influenciadores digitais, que podem ser youtubers, apresentadores de televisão, etc.. E no YouTube temos uma rede de mais de 700 canais. Em termos gerais fazemos contratos com essas figuras públicas para rentabilizar a sua presença digital”, explica Ana Marques.

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Ana Marques, MilenarDR

A grande parte das figuras com quem a Milenar trabalha são youtubers. “São eles que influenciam, são ativos. Podemos dizer que hoje em dia os youtubers tem o maior poder sobre as suas audiências”, frisou Ana Marques. Sofia BBeauty, Inês Ribeiro, Inês Rochinha e Miguel Luz são alguns dos youtubers agenciados pela Milenar, entre outras figuras públicas como o cantor Agir, o ator Ricardo Sá e o humorista António Raminhos.

"Há uma grande diferença neste tipo de influência: quem escolhe seguir estas pessoas são outras que querem mesmo ser influenciadas.”

Ana Marques

Milenar

“Há casos reais de youtubers que compraram, por exemplo, um carro numa determinada oficina e essa oficina vendeu uns quantos nos meses seguintes. E o mesmo acontece com maquilhagem, roupa, tudo. Há uma grande diferença neste tipo de influência: quem escolhe seguir estas pessoas são outras que querem mesmo ser influenciadas”, acrescenta Ana Marques.

Na MadMen procuram-se blogues com potencial para serem líderes, e não aqueles que já o são. “Identificamos aquilo que lhes falta e onde ainda podem crescer. Desenvolvemos conteúdos mais interessantes e criamos uma sinergia com a NiT, que pode ajudar a projetá-los, estabelecer parcerias”, explicou ao ECO Ricardo Martins Pereira, à frente da MadMen.

A NiT é o produto editorial da Madmen, feito por jornalistas que não trabalham para a secção empresarial da agência. A MadMen trabalha com blogues como Amaezonia, Cinco Quartos Laranja, entre outros. “Achámos que havia uma lacuna no conteúdo editorial de alguns blogues, e decidimos ajudar. Queremos que os blogues da MadMen marquem a diferença, com um trabalho transparente”, acrescenta Ricardo.

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“Estamos a criar uma área de gestão de influencers, que parte muito dos bloggers, numa primeira fase, e nós gerimos toda a parte do blogue, exceto a produção de conteúdos, porque queremos que os bloggers sejam genuínos”, explica ainda Ricardo. “O nosso objetivo é que estes blogues sejam cada vez mais fortes e mais ‘partilháveis’, para que as marcas consigam um retorno cada vez maior”.

Estratégias, planos, calendarizações. Quem decide o quê?

“Há coisas que vão acontecendo ao longo do ano, que sabemos de antemão e estão logo marcadas. Há quem ache imensa graça ao facto de termos imensos eventos mas, por dia, tenho no mínimo três reuniões”, refere Inês Mendes da Silva. “Antes de fechar o ano gosto de, na minha cabeça, já ter estruturado por onde é que vou estar, se vai ser lançado algum livro ou algum blogue… Tenho de ter noção de como que vai ser o ano da Rita Pereira ou da Isabel Silva, ainda que possa tudo mudar”, acrescenta.

“A nossa estratégia é adaptar os blogues com que trabalhamos. Por exemplo, um mês antes do verão, vamos ter uma maior preocupação em ter blogues mais dedicados ao exercício físico”, explica Ricardo Martins.

Cada agente trabalha de forma diferente. Mas gerindo a carreira de figuras públicas nacionais, quem passa a decidir o quê?

Nós somos os difusores das vontades do cliente. Mas se houver algum comunicado a fazer, um novo projeto a surgir, tentamos aconselhar a melhor forma de o fazer… Mas depende de caso para caso”, acrescenta João Pedro Ferreira. “Só interferimos se tiver a ver com a presença digital do cliente. As decisões para os restantes trabalhos são tomadas em conjunto”, acrescenta Ana Marques.

“Não existe uma fórmula”, refere Inês Mendes da Silva. “Ao longo do tempo há estratégias que se adaptam. O mais importante é que o grau de envolvimento nos projetos dos talentos com quem trabalhamos seja o mesmo que o nosso, porque temos uma grande responsabilidade”, acrescenta.

Quanto pode custar esta gestão?

Nenhuma das quatro agências com quem o ECO falou referiu quanto pode custar um trabalho que acaba por ser diário, com contacto permanente entre agência e personalidade, e que mexe com toda a planificação estratégica da carreira e da imagem de quem recorre a este tipo de serviços. Na MadMen o trabalho é feito tendo por base uma comissão. “De tudo o que vendemos para os blogues, ficamos com uma parte”, refere Ricardo Martins Pereira.

“Trabalhamos com os clientes através das marcas, não são os próprios clientes que nos pagam, por isso o preço depende de caso para caso”, explica João Pedro Ferreira, da Keep It Real. “Existe um preço sobre as coisas que vamos conseguindo”, e não um preço estipulado à partida, explica ao ECO Inês Mendes da Silva, da Notable. Ana Marques sublinha a mesma ideia: “Não cobramos nada pela gestão da imagem de alguém. Esperamos que o nosso valor chegue através das marcas. Se houver alguém que nos peça que refaçamos um blogue, o conteúdo em si, aí sim vamos cobrar”.

  • Ana Luísa Alves
  • Redatora

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