Cristiano Ronaldo, o capitão da economia

  • Tiago Varzim
  • 22 Novembro 2016

São números que a maior parte dos portugueses não consegue nem imaginar: 13 anos depois de ter deixado o Sporting, Cristiano Ronaldo aumentou a sua fortuna de forma exponencial.

CR7. É apenas uma sigla mas representa uma marca de milhões de euros, dólares, libras e até ienes (moeda japonesa). Cristiano Ronaldo é transversal a todos os continentes. O nome do português é reconhecido independentemente da língua. Essa universalidade traduz-se numa marca que não tem fronteiras e que, por isso, ascende a valores astronómicos.

Esse alcance a nível de reputação é visível nos números que o português congrega nas redes sociais: no Facebook tem mais de 117 milhões de seguidores, cerca de 48,2 milhões no Twitter, 82,1 milhões no Instagram e perto de 600 mil subscritores no YouTube. De acordo com as contas da Forbes, o jogador publicou 255 promoções a marcas de junho de 2015 a junho de 2016, o que se traduz numa valorização de 155 milhões de euros. Este post é só um desses casos:

450 mil euros. É esta a quantia que, após a renovação do contrato feita este mês com o Real Madrid, Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro vai receber por semana do clube até 2021. São 23,4 milhões de euros por ano, em comparação com os 18,2 milhões de euros que recebia no contrato anterior. É de relembrar que o jogador saiu do Sporting para o Manchester United por 15 milhões de euros em 2003.

Treze anos depois, o português volta a Alvalade esta terça-feira mas ainda como jogador do Real Madrid. Tudo aponta que este não será o último contrato do CR7 mas sim o penúltimo, uma vez que o português deve jogar até aos 40 anos. Há, por isso, a esperança dos sportinguistas de que Ronaldo acabe a carreira onde a começou.

No entanto, apesar de os valores salariais não serem acessíveis à maior parte dos portugueses, a principal fonte de rendimento do jogador de futebol português é outra coisa. Mesmo com o fim da carreira profissional no futebol, o capitão da seleção campeã do Euro 2016 não terá de se preocupar com a reforma: entre contratos com marcas, hotéis, discotecas, aplicações, redes sociais, e outras áreas, a carteira de Ronaldo é um polvo lucrativo.

210 milhões de euros. É este valor estimado pela Goal Rich List 2015 da fortuna de Cristiano Ronaldo, de acordo com dados do ano passado, sendo o mais rico de todos os futebolistas. Além disso, a revista Forbes anunciou CR7 como o desportista mais bem pago de 2016 com um total de 77 milhões de euros nos últimos 12 meses (o artigo foi lançado em junho): 49 milhões de salários e bónus e 28 milhões em publicidade e direitos de imagem.

Os salários do futebol

Em 2003, Cristiano Ronaldo começou a quebrar recordes e a entrar para a história do futebol mundial, tal como fez e faz até agora. Nesse ano foi vendido pelo Sporting ao Manchester por cerca de 15 milhões de euros, o que fez da transferência do CR7 a mais cara para um jogador da sua idade ( na altura tinha 18 anos).

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Até esse ano, Cristiano recebia 1500 euros por mês, no Sporting, o salário pago aos jogadores formados pelas escolas de Alvalade. Em Inglaterra, o português passou a ganhar dois milhões de euros por ano, no total de cinco anos de contrato inicial. Ou seja, cerca de 19 mil euros por semana.

A principal salto dos rendimentos de Cristiano Ronaldo conseguidos através do futebol deu-se de 2008 para 2009. Foi nesse ano que CR7 deixou Old Trafford e rumou a Santiago Barnabé. Em 2009, o português já ganhava 11,3 milhões de euros por ano e nos anos seguintes evoluiu para perto de cerca de 19 milhões de euros até chegar aos atuais quase 24 milhões de euros com o novo contrato com o Real Madrid.

Os contratos publicitários

Não há margem para dúvidas: a maior fonte de rendimento de Cristiano Ronaldo é a sua imagem, marca e projeção mediática. É preciso referir que o merchandising é ouro para os clubes e para o próprio atleta que, além disso, no caso de Ronaldo, também recebe honorários por causa dos valores das transferências de um clube para o outro.

São tantos os contratos publicitários que Cristiano Ronaldo teve e tem que é difícil quantificar o alcance dos seus negócios. Contudo, o site oficial do atleta dá uma ajuda: Herbalife, Clear Paris Shampoo, Sacoor Brothers, Poker Stars, Tag Heuer, XTrade, laboratório Abbott são as marcas com que atualmente CR7 trabalha.

Mas através de notícias do passado, a lista continua: Toyota, Herbalife, Emirates, Castrol, Samsung, Soccerade, Emporio Armani, Konami, Banco Espirito Santo, KFC, MEO, Tag Heuer, Pokerstars, Clear Paris Shampoo, Linic, … E, certamente, deve faltar alguma.

A dificuldade em enumerar todas as marcas com que CR7 já esteve envolvido demonstra a capacidade mediática do português. A última campanha, agora no ar, mostra a relação do jogador com a sua mãe. No contrato com a Altice, a dona da MEO, prevê-se três milhões de euros por ano para o atleta, num total de três anos.

Também em Portugal, o BES e depois o Novo Banco foram quem mais pagou ao jogador em publicidade. Esta é uma parceria com mais de 13 anos e foram certamente muitos milhões de euros a cair na conta de CR7, apesar de não serem conhecidos os valores concretos. Sabe-se, no entanto, que, por ano, o BES pagava no mínimo 750 mil euros a Ronaldo.

Já, por exemplo, o contrato com a Nike vale-lhe 11 milhões de euros por ano, de acordo com a Forbes. Em 2003, o português também tinha contrato com a Nike mas ‘só’ recebia 1,13 milhões de euros por ano. Além desse contrato, o acordo com a Armani também lhe valeu cerca de 1,9 milhões de euros.

Principalmente nos últimos anos, ao chegar a uma idade mais adulta e ao alcançar maior reputação internacional, Cristiano Ronaldo conseguiu aumentar o lucro que consegue através dos contratos publicitários.

Consegue vestir-se de CR7 dos pés à cabeça?

O desafio é simples. Vamos a isto, homens: comece por meias e boxers da CR7 Underwear, depois uns sapatos da CR7 Footwear, complemente com as camisas do CR7 Shirts e termine com uma fragrância do próprio, a Legacy. O que falta? Umas calças, é verdade. Mas quase que conseguíamos vestir CR7 dos pés à cabeça.

Quanto a roupa desportiva, isso já é outra história: a maior parte CR7 lançou em parceria com diversas marcas, mas é possível comprar umas Long John do próprio. Ah, e pode dormir com uma manta de Cristiano Ronaldo. Só falta onde dormir, não é?

O futebolista também resolveu isso recentemente: lançou, em parceria com o Grupo Pestana, dois hotéis — um em Lisboa e outro na Madeira, onde nasceu. Para já é só em Portugal, mas Cristiano Ronaldo já tem planos para abrir hotéis em Madrid e Nova Iorque.

Os fãs mais acérrimos podem dormitar num dos dois hotéis com as mantas, meias, sapatos, boxers, camisas, Long John,… A marca CR7 cobre quase tudo o que um ser humano precisa. Até a cultura: sim, também há um Museu CR7 e uma estátua.

Investimentos à la CR7

Os investimentos do jogador de futebol começaram por ser em discotecas, como é o caso do Seven, no Algarve e do Place, em Lisboa. Além disso, o futebol — ligado a Jorge Mendes, o seu manager — é outro dos seus focos: Ronaldo está envolvido na Gestifute, empresa que gere as carreiras de profissionais do desporto, e na Polaris Sports, empresa que gere a imagem dos agenciados da Gestifute.

Porém, mais recentemente, o madeirense tem investido em tecnologia, como é o caso da aplicação para smartphones Mobitto, a empresa VMS Communications (que pretende facilitar o envio de vídeos por telemóvel) e a BranditNext, uma empresa de multimédia com serviços de software, design e vídeo.

Menos esperado, poder-se-ia dizer, é o envolvimento da marca CR7 com apps. Temos o exemplo da CR7 Selfie que permite os fãs tirarem selfies com o jogador ao lado. Além disso, existe um teclado personalizado com o nome de Cristiano Ronaldo e ainda o nostálgico jogo do Hugo onde o jogador de futebol passa a ser um skater. A app do jogo chama-se Ronaldo: SuperStar Skater.

Dentro da categoria de negócios estranhos entra também o Pao Facial Fitness, um aparelho que se coloca na boca para — supostamente — fortalecer a zona das bochechas. O produto aparentemente bizarro levou até CR7 a um programa japonês. E o português repetiu a dose com o Sixpad, um aparelho que — supostamente — define o abdominal.

Editado por Mariana de Araújo Barbosa (mariana.barbosa@eco.pt)

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