Gigante asiático quer vingar também no futebol. Este é o plano

  • Ana Luísa Alves
  • 13 Outubro 2016

A China tem um plano para vencer equipas de futebol como o Brasil ou a Alemanha. Xi Jinping, presidente chinês, já disse que vai tornar a China "melhor".

Na escola primária experimental, em Taiwan, a passadeira vermelha já não existe. As meninas vestidas de rosa e branco esperam à porta da escola por alguém que é conhecido. Ministros em palco e câmaras de televisão montadas deixam antever a chegada de um verdadeiro líder. Mas não é o do Partido Comunista Chinês.

Esta é apenas a primeira escola que Tom Byer, treinador de futebol norte-americano, visita, numa lista de 32 que ainda lhe faltam visitar. O roteiro faz parte de um plano ambicioso do presidente chinês Xi Jinping para aumentar o poder do gigante asiático no desporto mais popular do mundo: o futebol. O objetivo é treinar 30 milhões de crianças nos próximos quatro anos e construir uma seleção nacional capaz de vencer o Brasil, a Argentina e a Alemanha até 2050.

“Xi prometeu que tornaria a China melhor”, explica Andrew Nathan, professor de ciência política na Universidade de Columbia, em Nova Iorque, citado pela Bloomberg. “Ganhar no desporto não é necessariamente rápido e fácil, sobretudo com uma população deste tamanho e com o governo com este tipo de recursos”, acrescentou Nathan.

O governo espera ter mais de 70 mil jogos até 2020 e está a contratar treinadores do estrangeiro para ajudar a seleção chinesa. Ainda assim, não é fácil tornar o gigante asiático num gigante do futebol, e há duas fortes razões para isto acontecer: o precedente japonês e as “mães leoas”.

O Precedente japonês

Byer, autor de “O Futebol começa em casa“, não é um desconhecido para o futebol asiático. O treinador ajudou o Japão a transformar o futebol do país e apresentou, durante quase 15 anos, um programa de televisão onde falava sobre a experiência. “O governo chinês é único no mundo com uma política atrás do futebol”, disse Byer. “Será que estes objetivos são concretizáveis? Penso que sim”, acrescentou o treinador norte-americano.

O presidente chinês, Xi Jinping, anunciou, no ano passado, um plano de 50 pontos para reformar o futebol chinês, com o apoio de empresas estatais e privadas. Isto fez com que os clubes chineses começassem a comprar jogadores estrangeiros, como o brasileiro Alex Teixeira — onde a Jiangsu Suning gastou 56 milhões de dólares –, e o recorde pago pela Shanghai SIPG, de 61 milhões de dólares, investidos na compra de Givanildo Vieira de Souza (o conhecido Hulk).

Neste momento, a China ocupa o 78º lugar no ranking mundial da FIFA.

As mães leoas

Um dos grandes desafios chineses é a mentalidade das mães: são mães leoas, e não soccer moms. “Eu quero que o meu filho se foque nos estudos”, confessa Zhao Tingting, de 34 anos, em entrevista à Bloomberg. “Não há grande espaço que sobre para os desportos”, depois de todas as atividades extracurriculares do filho de oito anos, acrescenta.

Ainda assim, a China já provou que consegue produzir campeões. O caminho para a glória começou em 1984 depois dos jogos olímpicos em Los Angeles, quando o gigante asiático levou para casa 15 medalhas de ouro. Quando os jogos foram na China, o país anfitrião conseguiu mais de 50 medalhas de ouro.

“Eles conseguem resultados” disse à Bloomberg Gilberto Silva, membro da seleção brasileira, que venceu a china por 4-0 na World Cup em 2002. “Eles conseguem fazê-lo no futebol”, acrescentou.

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