Web Summit. O que veio o mundo fazer a Lisboa?

São 53.000 pessoas vindas de 165 países do mundo. Mas afinal, o que vieram fazer a Lisboa? Leia a reportagem do primeiro dia do Web Summit.

O movimento nas ruas de Lisboa aumentou no último fim de semana, também graças ao Web Summit. As ruas da capital contam, a partir desta segunda-feira, com maior diversidade linguística… e de ideias — culpa dos cerca de 53.000 inscritos no maior evento de empreendedorismo e tecnologia do mundo que, pela primeira vez, se realiza na capital portuguesa. Os participantes vêm de 165 países do mundo, segundo a organização do evento. E vêm, sabe o ECO, com objetivos diferentes.

Dietmar Hafner e Monika Koch

Os dois suíços chegaram sexta-feira a Lisboa — três dias antes do evento — para poderem aproveitar Lisboa antes do Web Summit. A viagem de regresso está marcada para quinta-feira. Dietmar Hafner, da startup ti&m AG, decidiu viajar para Lisboa e convidou a amiga para se juntar à viagem. O avião seguiu uns dias antes da conferência — chegaram a sexta-feira –, uma forma de aproveitarem o fim de semana para conhecerem a capital portuguesa.

Dietmar Hafner e Monika Koch.
Dietmar Hafner e Monika Koch.Paula Nunes/ECO

“Lisboa é muito portuguesa. A língua é muito estranha, esperava que fosse mais ‘espanhol’ mas não é. É muito simpático, é bonito e diferente de Zurique, onde eu vivo. Lá as pessoas são mais direcionadas para os negócios, aqui as coisas são mais lentas mas é simpático. Para os suíços é difícil sair do país porque não pertencemos à União Europeia. O problema é que a qualidade de vida na Suíça é muito alta, as pessoas ganham cada vez mais dinheiro. E, para as empresas suíças investirem em novos mercados, é preciso terem a certeza de que é certo. A maioria deles diz que fez algo, que tem projetos, mas não está 100% satisfeito. E os suíços querem estar 100% satisfeitos. Low risk e alta qualidade de trabalho. E não sei se os portugueses são assim, precisamos de tempo para perceber com quem podemos trabalhar”, explica Dietmar Hafner, em entrevista ao ECO.

Trata-se de conhecer pessoas de mente aberta, que sejam abertas a novas coisas. Se daí podem vir negócios, é um segundo plano.

Dietmar Hafner

Visitar Lisboa e conhecer pessoas novas são as razões preponderantes para decidirem viajar nesta altura do ano, assim como saber mais sobre novas tecnologias, a área de negócio em que trabalha. “Vim à procura de financiamento mas também de ideias na área de fintech, mais na área da regulação e da inovação. Estes eventos são muito importantes para conhecermos gente e parcerias interessantes de negócio mas terei sempre de dizer que se trata de conhecer pessoas de mente aberta, que sejam abertas a novas coisas. Se daí podem vir negócios, é um segundo plano. Penso que não se trata primeiro de fazer negócios mas de como as pessoas podem inovar no futuro. O que eu posso fazer, o que podemos fazer juntos”, explica Dietmar.

Mariana Fernandes

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Mariana Fernandes, 19 anos, sorri enquanto fala com os desconhecidos que se debruçam sobre o balcão de acreditação. Está no 3º ano do curso de Engenharia Aeroespacial e é voluntária no Web Summit. “Em poucas horas já passaram por aqui chineses, franceses, ingleses e muitos outros. É, mais do que tudo, uma experiência incrível para conhecer pessoas novas”, explica a estudante universitária.

Mas, da agenda de Mariana não faz apenas parte a entrega de badges. A ideia é que, nas horas livres, possa passear pelo recinto e conhecer projetos e ideias novas. “Amanhã saio ao meio dia, depois vou aproveitar para ver os pavilhões e os palcos”, conta ao ECO.

Harpreet Singh, Eshaan Takkar, Ashish Jain e Himanshu Trivedi

Web Summit dia 1

Os quatro sócios indianos da Mandoo, uma plataforma que junta médicos e doentes, vieram a Lisboa para expor o conceito da empresa e conhecer gente nova. “Queremos inspirar-nos e conhecer pessoas que tenham um mindset semelhante ao nosso”, explica Eshaan Takkar.

O negócio, fundado há quase um ano, foi preparado durante os cinco anos anteriores. “Estavamos a concorrer para expor como Alpha mas, depois das apresentações, fomos escolhidos como Beta. E fomos escolhidos para fazer o pitch”, detalha. Quanto a Lisboa, é a primeira vez que visitam a cidade. E, sublinham, já conhecem “bem” a noite lisboeta.

Brian To

Web Summit dia 1
Brian To veio da California para acompanhar a namorada, empreendedora, no Web Summit.Paula Nunes/ECO

Brian To está encostado no muro, perto da entrada das credenciações. Veio da Califórnia com a namorada, fundadora de uma startup. E, enquanto ela vai trabalhar e procurar negócios no Web Summit, ele vai explorar a cidade. “O sol é a primeira coisa que me salta à vista. E as pessoas, muito simpáticas”. Do Web Summit, pouco sabe. Diz que veio mesmo para acompanhar a sua empreendedora favorita.

Sérgio Felizardo

O jornalista da VICE Portugal está sentado num banco do Parque das Nações. Nos joelhos tem pousado um computador onde prepara conteúdos sobre o Web Summit. “Numa coisa tão abrangente como o Web Summit, o que eu gostava de fazer era abordar a parte das novas tecnologias e da parte do que as pessoas mais jovens estão a trazer e podem trazer para o Web Summit. É o que nos interessa. E também o que Portugal tem a apostar a isto. Vamos ver de que maneira é que consigo porque, com uma coisa de uma dimensão tão grande, é um desafio”, assegura.

Web Summit dia 1

Veio em trabalho mas olha com fascínio para o que se passa à sua frente. “Convidaram porque a VICE, a nível global, está num patamar… potente.”, diz, a propósito dos dois oradores da sua empresa, que integram os painéis de discussão do Web Summit. “Não sou, de maneira nenhuma, daqueles velhos do Restelo que hão de estar, para o ano, a carpir as lágrimas para isto voltar depressa. Não é só uma questão de impacto na altura em que se organiza mas depois. Ontem notava-se muito movimento no centro da cidade. E também ao nível da imagem do país, e de uma nova perspetiva de Portugal no mundo”, diz.

Abhishek Rajput

CEO e fundador da Scholarslearning, o indiano Abhishek Rajput veio sozinho de Deli para abrir os olhos ao mundo. Pela segunda vez no Web Summit — a primeira foi, no ano passado, em Dublin, Rajput diz que a primeira diferença em que repara é no sol. “Em Dublin estava sempre a chover”, assinala.

Web Summit dia 1

“Ajudamos estudantes a preparar a época de exames finais”, explica Abhishek sobre o negócio. “A principal razão para vir ao Web Summit é tentar perceber outros modelos de educação existentes no mundo e também novas ideias de como gerir esses modelos. Quero entender a educação noutros países e perceber como é que as empresas trabalham essas metodologias. E este é o sítio para estar”, explica.

João Santos

Web Summit dia 1

Vestido de ‘pandicórnio’, uma mistura de um panda com um unicórnio, João Santos, da Storyo, quer mostrar o que a startup faz pelos seus utilizadores. “Toda a gente quer ser um unicórnio. Então quisemos ser o pandicórnio: a junção do panda, relaxado e amigo, com o unicórnio, que é único”, explica o empreendedor da empresa inscrita como Alpha no Web Summit.

A empresa preparou surpresas para os assistentes: as aulas de tai chi são uma das ofertas, “para tornar os assistentes mais relaxados” entre as 9:00 e as 10:00, assim como os origamis especialmente preparados para o espírito ‘pandicórnio’.

“Vamos estar a carregar baterias de telemóveis, a dar wi-fi quando o free wi-fi estiver out. Tudo o que facilitar a vida das pessoas vamos estar a dar. Tal como o Storyo facilita a vida das pessoas e resolve o pandemónio de fotografias e de data. Criamos clips automáticos para as pessoas partilharem”, diz.

Jorge Próspero dos Santos, Nuno Atouguia, Pedro Guerreiro e Jorge Brito

Web Summit dia 1

Se um chapéu na cabeça não passa desapercebido, imagine quatro — chapéus — em linha. Jorge Próspero dos Santos, Nuno Atouguia, Pedro Guerreiro e Jorge Brito vieram ver o que se passa no Web Summit. E mais. “Viemos expor, apresentar a nossa empresa, procurar parceiros ou investimentos que nos ajudem a alavancar o negócio”, explicam.

Este ano criaram a Dynamic Referal System, um negócio que conta com uma patente. “Patenteámos um sistema de captação de contactos imobiliários, lançámos o projeto depois da patente, há cerca de cinco meses, e já estamos em todos os continentes, temos uma rede de agentes gigante. Redistribuímos os capitais do mercado imobiliário internacional de maneira a possibilitar a qualquer empresa ou pessoa obter rendimentos extraordinários no mercado imobiliário sem ter grande intervenção”, explicam. E seguem, em fila, para a entrada.

Fotoreportagem de Paula Nunes

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