Colapso do Deutsche Bank tira 10 mil milhões de euros à banca da Zona Euro

Os receios relativamente à saúde financeira do banco germânico provocaram um vandaval de perdas para a banca europeia. Todos os títulos do setor fecharam no vermelho.

As ações europeias arrancaram a semana da pior forma. O Stoxx 600 viveu a pior sessão em mais de dois meses e meio, com o colapso dos títulos do Deutsche Bank e do setor financeiro, em geral, a marcar o rumo dos mercados acionistas do Velho Continente. Os receios em torno da saúde financeira do banco germânico, depois de este ter sido alvo de uma multa recorde nos EUA há poucos dias, alastrou-se ao setor que em apenas uma sessão perdeu mais de 10 mil milhões de euros, em valor de mercado.

Evolução do índice da banca da Zona Euro em 2016

O Stoxx Europe 600 deslizou 1,48%, para os 340,23 pontos, com o setor da banca europeia a recuar 2,25%. O Stoxx Euro Banks (que conta apenas com bancos da Zona Euro) caiu 2,71%, com o Deutsche Bank liderou as perdas do setor, num dia em que as suas ações tombaram 7,62%, para os 10,54 euros, o que corresponde a um mínimo histórico. Entre os títulos que integram o setor financeiro do Stoxx 600, nenhum conseguiu escapar ao tom vermelho.

Entre as maiores desvalorizações da banca europeia figuraram também o Bank of Ireland (-4,3%), o Commerzbank (-3,89%) e o Unicredit (-3,82%). Já o Omercni Banka (-0,5%) e o HSBC (-0,66%) protagonizaram as perdas menos expressivas. Feitas as contas, se no final da semana passada valiam cerca de 438 mil milhões, agora valem 427,9 mil milhões de euros.

O drama em torno do Deutsche Bank coloca o setor financeiro europeu de novo no centro das atenções

Michael Woischneck

Lampe Asset Management

Numa altura em que a saúde da banca europeia continua na ordem do dia, as preocupações em torno do Deutsche Bank estão a funcionar como um fósforo que poderá acender um rastilho e provocar uma explosão. No passado dia 16 de setembro, o banco confirmou ter sido alvo pelo regulador do mercado financeiro dos EUA de uma multa de cerca de 12,5 mil milhões de euros (14 mil milhões de euros), relacionada com a venda de ativos imobiliários de baixa qualidade durante a crise do subprime. Este é o valor mais elevado de sempre a ser imposto a um banco europeu. Os investidores revelam assim as suas preocupações em torno das necessidades de capital do maior banco da Europa. Há quem fale mesmo na possibilidade a Alemanha resgatar a instituição financeira, algo que Angela Merkel entretanto já descartou.

“O drama em torno do Deutsche Bank coloca o setor financeiro europeu de novo no centro das atenções”, salientou Michael Woischneck, gestor da Lampe Asset Management, à Bloomberg. “Faz-nos pensar qual será a situação noutros bancos com atividades nos mercados de capital significativas. Estamos também a entrar num trimestre com muitos riscos políticos”, acrescentou o mesmo responsável.

 

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