Afinal, não era imaginação. TAP quer mesmo cortar 150 milhões em custos

O novo programa de poupanças foi apresentado hoje aos trabalhadores. Nos planos está a introdução de refeições pagas a bordo e serviços mais "automatizados".

A TAP vai mesmo avançar com um programa de poupanças para cortar 150 milhões de euros em custos, anunciou Fernando Pinto, presidente executivo da companhia área, numa reunião com os trabalhadores, que decorreu esta terça-feira na sede da empresa. Apesar dos cortes, a empresa garante: não só não vai haver despedimentos como vai haver crescimento.

Na origem deste programa, a que a TAP chama RISE, está um estudo realizado pela consultora Boston Consulting Group, que concluiu que, para ser sustentável a longo prazo, a companhia aérea terá de cortar custos em 150 a 200 milhões de euros até 2020. Quando questionado pela primeira vez sobre este assunto, em meados de setembro, Fernando Pinto começou por classificar este estudo de “imaginário“, já que continha ideias que ainda “estavam a ser desenvolvidas”. Duas semanas depois, disse que o estudo estava pronto para avançar para “uma segunda etapa” e que o objetivo era “preparar a TAP para o futuro”.

A TAP parou de crescer e agora tem de se preparar para o próximo salto. Todas as companhias conseguiram reduzir as tarifas por via de uma maior eficiência.

Fernando Pinto

Presidente executivo da TAP

A reunião desta terça-feira com os trabalhadores serviu para lhes dar a conhecer as medidas que vão ser implementadas. Na apresentação que mostrou aos trabalhadores, e a que o ECO teve acesso, Fernando Pinto começa por salientar os “três grandes desafios” que a TAP enfrenta:

  • Primeiro, o abrandamento dos quatro principais mercados (Portugal, Brasil, África e Europa) da companhia aérea. Nas palavras de Fernando Pinto, Portugal atravessa um “reajustamento e consolidação económica”, no Brasil verifica-se uma “desaceleração” da economia e “desvalorização da moeda”, África está em “forte abrandamento económico” e, na Europa, também em “desaceleração económica”, a TAP enfrenta “forte concorrência das low cost. A ilustrar essa forte concorrência está a quota de mercado da TAP em Portugal, que tem vindo a cair consistentemente desde 2012. Nesse ano, a quota da TAP no aeroporto de Lisboa era de 59%, enquanto a das low cost era de 15%; hoje, a quota da TAP caiu para 48% e a das low cost cresceu para 29%.
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Fonte: TAPECO
  • Segundo, a “desatualização da frota e do produto“. A idade média da frota da TAP é 15 anos, face a uma média de oito ou nove anos dos concorrentes. Ao mesmo tempo, as tarifas que a TAP oferece são “pouco competitivas” no que toca à relação preço/serviço, reconheceu Fernando Pinto.
  • Terceiro, a “dificuldade de investimento“, agravada pela “dívida ainda elevada”. A dívida da transportadora ascende a 887 milhões de euros e está atualmente a ser renegociada, o que “limita a capacidade de investimento em novas aeronaves”.

Neste contexto, a TAP precisa de “entrar no ciclo virtuoso dos vencedores do setor da aviação”, um objetivo que passa por ter menores custos que os concorrentes, melhores resultados, maior investimento na frota e no produto e maior atividade e receitas. Ao ECO, fonte oficial da empresa garante que nenhum destes pontos vai implicar despedimentos ou cortes de salários.

"Não há uma agenda escondida. Não há despedimentos ou cortes salariais, o que há é crescimento.”

Fonte oficial da TAP, ao ECO

“Não há uma agenda escondida, a apresentação do Fernando Pinto é transparente. Não há despedimentos ou cortes salariais, o que há é crescimento. E ainda ganhos de produtividade em todas as áreas em que tal seja possível (incluindo no handling)”, diz ao ECO fonte oficial da TAP, questionado sobre possíveis despedimentos e sobre a eventual renegociação de contratos de handling.

Entre as medidas para tornar a TAP numa companhia aérea mais eficiente, a administração vai apostar na automatização de alguns serviços, como o handling, e num menu reduzido na classe económica, com a introdução de refeições pagas a bordo. O programa RISE prevê ainda a instalação de um “novo sistema de gestão de tripulações” a “maximização da utilização da capacidade instalada”, no segmento de manutenção.

Petróleo barato ajuda, mas não chega

A desvalorização do petróleo deverá implicar uma poupança de 220 milhões de euros com combustíveis, o que deverá refletir-se na melhoria dos resultados da empresa, face às contas do ano passado, em que a companhia aérea apresentou prejuízos de 99 milhões de euros. A melhoria não atingirá, contudo, este valor de 220 milhões, ressalvou Fernando Pinto. “2016 será melhor do que no ano passado, mas nem de perto será esse diferencial”, disse.

O CEO reconheceu que o petróleo barato está a ajudar o setor da aviação, mas sublinhou que a TAP tem de estar preparada para a “recuperação futura do preço do petróleo”.

11 novas rotas em 2017

No programa apresentado esta manhã, está prevista a criação de 11 novas rotas para o próximo ano: sete para a Europa, três para África e uma para a América do Norte.

O lançamento das novas rotas deverá acontecer no verão e, entre os novos destinos, estão algumas cidades europeias para onde a TAP já tinha voado no passado.

Além disso, a companhia aérea deverá retomar algumas frequências para o Brasil, que nos últimos tempos foram reduzidas devido à instabilidade política e económica que se vive no país, bem como reforçar frequências para as regiões autónomas, Porto e Faro. Já a TAP Express, a ponte aérea entre Lisboa e Porto, terá um “crescimento adicional”.

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