Depósitos a prazo já pagam abaixo de 0,4%

A remuneração dos depósitos a prazo caiu em agosto para um novo mínimo histórico, em Portugal, revelam dados do BCE.

A remuneração dos depósitos a prazo não para de cair. A taxa de juro média oferecida pelas instituições financeiras nas novas aplicações a prazo caiu pela primeira vez abaixo da fasquia dos 0,4%, em agosto. Nesse mês, a remuneração bruta dos depósitos a prazo fixou-se nos 0,38%, em média, o que corresponde ao nível mais baixo de sempre, tendo em conta o histórico disponibilizado pelo Banco Central Europeu (BCE) que remonta ao início de 2000.

A quebra da remuneração dos depósitos a prazo acompanha o rumo descendente das taxas de juro de referência e a cada vez menor aposta dos bancos nesta classe de produtos financeiros, já que não têm urgência em captar depósitos de modo a equilibrarem o rácio de transformação. A prioridade dos bancos passa agora por maximizar os seus proveitos pela via da disponibilização de crédito.

Evolução da taxa de juro média dos depósitos a prazo desde janeiro de 2000

Fonte: Banco Central Europeu (Valores em %)
Fonte: Banco Central Europeu (Valores em %)

A quebra da remuneração dos depósitos atinge a generalidade dos produtos, independentemente do prazo considerado. Nas aplicações até dois anos, a remuneração baixou de uma média de 0,39%, em julho, para 0,37%, em agosto. Para prazos acima desse horizonte temporal a descida foi de 0,44% para 0,43%, no período considerado.

Para além de verem as suas poupanças serem pouco valorizadas pelas instituições financeiras, a remuneração oferecida pela generalidade dos produtos é também insuficiente para anular o efeito corrosivo da inflação. Basta considerar a taxa de inflação de 1,2% prevista pelo Governo para este ano.

Uma concorrência forte

A perda de atratividade dos depósitos a prazo é percetível ao analisar a evolução dos montantes aplicados pelas famílias portuguesas nesta classe de produtos. O mês de eleição para os portugueses passarem férias foi marcado por mais um rombo nos depósitos a prazo.

Segundo dados divulgados há poucos dias pelo BCE, em agosto, o montante aplicado pelos portugueses em depósitos a prazo caiu para o nível mais baixo de sempre, assumindo o histórico disponibilizado pelo banco central que remonta a janeiro de 2003. No final desse mês, os portugueses disponham de 101 mil milhões de euros em aplicações a prazo. Este valor representa uma quebra de 487 milhões de euros face ao mês precedente.

A perda de atratividade dos depósitos a prazo está a levar cada vez mais os aforradores portugueses a olharem para os produtos de poupança do Estado. Neste universo, os Certificados do Tesouro Poupança Mais (CTPM) são o produto que mais interesse tem despertado.

Os últimos dados da Agência Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) indicam que, em agosto, os portugueses aplicaram 326 milhões de euros, em termos líquidos, neste produto de poupança. Trata-se da subscrição mais elevada desde que a remuneração dos CTPM foi cortada para metade no final de janeiro de 2015.

Apesar desse corte, a remuneração dos CTPM é bastante mais atrativa face à dos depósitos a prazo. Esta vai de uma taxa de juro bruta de 1,25% no primeiro ano, taxa que é aumentada de forma gradual atingindo ao fim dos cinco anos máximos de aplicação uma remuneração bruta média de 2,25%.

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