Fundador do grupo de calçado Carité nega “pressão” sobre trabalhadores

  • Lusa
  • 10 Outubro 2016

“Está mais preocupado o Bloco de Esquerda do que as pessoas que lá estão", disse Reinaldo Teixeira, afirmando que não existe pressão na proposta feita aos trabalhadores para que assinem com a Brada.

O fundador do grupo de calçado Carité, Reinaldo Teixeira, negou hoje qualquer “pressão” sobre os trabalhadores da empresa em S. João da Madeira para que rescindam contratos, conforme denunciado no domingo pelo Bloco de Esquerda.

Em declarações à agência Lusa, o empresário do grupo com sede em Felgueiras e que tem um polo em S. João da Madeira disse que o que está a ser proposto aos “cerca de 20” trabalhadores das duas empresas ali existentes é que, “conforme vão terminando os contratos” dos que estão afetos à atual filial da Carité, estes passem para a congénere Brada, que funciona num pavilhão contíguo e pertence ao mesmo proprietário.

“Existem dois pavilhões geminados: num deles está uma filial da Carité e na outra uma empresa de nome Brada, do mesmo proprietário. Como as coisas não estavam a funcionar, porque havia alguma confusão por estarem as duas a trabalhar debaixo do mesmo teto, vamos manter só a Brada e, conforme vão terminando os contratos, está a ser proposto aos trabalhadores mudarem de uma empresa para a outra”, explicou.

Contudo, assegurou à Lusa Reinaldo Teixeira, “para os trabalhadores não muda nada, é-lhes dada uma declaração que lhes assegura os mesmos direitos e a antiguidade”, e “toda a gente percebeu e aceitou de livre vontade”.

“Está mais preocupado o Bloco de Esquerda [BE] do que as pessoas que lá estão. Ao terminarem o contrato, se quiserem mudam para a Brada, se não quiserem não precisam de ficar, a empresa paga-lhes os direitos todos e eles vão embora”, acrescentou.

No domingo, o BE informou que o seu grupo parlamentar questionou o Governo, numa pergunta escrita dirigida ao ministro do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social, sobre a alegada “pressão” que estará a ser exercida pelo grupo de calçado Carité, em S. João da Madeira, para que os trabalhadores rescindam contrato com a empresa.

Os bloquistas referem que a administração da Carité “tem estado a usar várias formas de pressão psicológica e outra sobre as cerca de três dezenas de trabalhadores que ali estão empregados para que assinem a rescisão de contrato e assinem um contrato de trabalho com outra empresa”. Uma ‘nova’ empresa que, dizem, “apenas o será juridicamente, uma vez que se situará nas mesmas instalações”.

“As várias formas de pressão utilizadas sobre os trabalhadores parecem prefigurar uma prática de assédio moral. E os objetivos dessa pressão devem merecer as maiores dúvidas. Por que razão quer a entidade patronal mudar o nome da empresa, obrigando os trabalhadores a abdicar dos seus direitos e interesses?”, questiona o BE.

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