Escândalos da banca não travam confiança no gestor de conta

Apesar dos recentes escândalos do BES e do Banif, o gestor do banco continua a ser o guia dos portugueses na hora de escolherem os produtos financeiros onde aplicar as suas poupanças.

Os recentes escândalos na banca não parecem ter abalado a confiança dos portugueses nos bancos e nos gestores de contas. Os resultados do último inquérito à literacia financeira divulgado esta sexta-feira mostram que os entrevistados leem a informação disponibilizada pelas instituições, mas que esta nem sempre é o elemento chave na sua tomada de decisões. Estes continuam a ter como principal fator determinante para a escolha dos produtos financeiros o conselho dos funcionários das agências.

Em quem confiam mais para escolher produtos financeiros

Fonte: Relatório do Inquérito à Literacia Financeira da População Portuguesa
Fonte: Relatório do Inquérito à Literacia Financeira da População Portuguesa

“A maioria dos entrevistados afirma que lê a informação pré-contratual (82,9%) e contratual (80,9%) dos produtos financeiros. No entanto, cerca de 59,1% dos entrevistados seguem o conselho dado ao balcão da instituição onde adquirem o produto e 26,2% não realizam qualquer pesquisa ou comparação com outras alternativas”, salienta o relatório do Conselho Nacional de Supervisores Financeiros.

O fato dos portugueses continuarem a depositar um elevado nível de confiança na informação prestada pelos funcionários dos bancos poderá parecer de alguma forma surpreendente sobretudo porque acontece depois dos recentes escândalos do BES e do Banif, em que muitos portugueses perderam as poupanças aplicadas em produtos financeiros que alegam terem sido recomendados ao balcão do banco, de forma enganadora. Está inclusivamente em curso a transposição de uma diretiva que visa regular a forma como os funcionários podem comercializar produtos bancários.

[A dependência do gestor de conta] vem colocar em destaque a natureza crítica tanto da regulação dos deveres de informação que as instituições do setor financeiro devem observar na sua relação com os clientes como da fiscalização da respetiva observância.

Conselho Nacional de Supervisores Financeiros

Em relação à confiança demonstrada pelos inquiridos no seu banco, o estudo diz precisamente que “vem colocar em destaque a natureza crítica tanto da regulação dos deveres de informação que as instituições do setor financeiro devem observar na sua relação com os clientes como da fiscalização da respetiva observância”. “Atendendo ao contexto em que o cidadão confia na instituição que o serve, é imperioso garantir que os clientes têm acesso a toda a informação relevante para a sua decisão de aquisição de produtos financeiros, acrescenta o estudo Conselho Nacional de Supervisores Financeiros.

A opinião da família também pesa

O conselho da família ou dos amigos continua também a ser um fator fundamental no processo de escolha dos produtos financeiros, tendo sido apontada por 51,1% dos inquiridos. Segundo o Conselho Nacional de Supervisores Financeiros, “estes resultados reforçam a importância da promoção da formação financeira”, no sentido de que a informação disponibilizada pelas instituições “seja compreendida e efetivamente utilizada na comparação de produtos financeiros alternativos”. O regulador salienta assim “a importância de reforçar a capacidade do cidadão de entender, comparar e decidir por si próprio”.

Em relação à confiança demonstrada pelos inquiridos no seu banco, o estudo “vem colocar em destaque a natureza crítica tanto da regulação dos deveres de informação que as instituições do setor financeiro devem observar na sua relação com os clientes como da fiscalização da respetiva observância“. Atendendo ao contexto em que o cidadão confia na instituição que o serve, é imperioso garantir que os clientes têm acesso a toda a informação relevante para a sua decisão de aquisição de produtos financeiros.

Neste sentido, o Conselho Nacional de Supervisores Financeiros incita à necessidade de “um trabalho continuado junto de vários grupos populacionais para que sejam alcançados resultados robustos”, no âmbito da formação financeira.

 

Metodologia: Dos 1100 entrevistados, 52,8% são do sexo feminino e 56,5% fazem parte da população ativa. Metade tem idades entre os 25 e os 54 anos e 16,6% têm 70 ou mais anos. No Norte foram realizadas 34,8% das entrevistas, em Lisboa 26,5% e no Centro do país 22,4%. Cerca de 54% dos entrevistados possuem pelo menos o ensino básico completo e 19,4% têm pelo menos uma licenciatura.

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