Já sabe o que é a Euribor? Ainda não

Apenas um em cada dez inquiridos conhece a Euribor, revela inquérito do Conselho Nacional de Supervisores Financeiros. Ainda assim houve ligeira melhoria.

É a taxa que é determinada pelos empréstimos realizados entre um conjunto de bancos europeus, mas está presente na vida da generalidade dos portugueses que têm crédito à habitação. Contudo, um grande número de pessoas continua a desconhecer o seu significado. O segundo inquérito à literacia dos portugueses divulgado esta sexta-feira pelo Conselho Nacional de Supervisores Financeiros mostra isso mesmo. Apenas um em cada dez portugueses sabe explicar com exatidão o conceito da Euribor.

O mais e o menos da literacia financeira

Fonte: Relatório do Inquérito à Literacia Financeira da População Portuguesa
Fonte: Relatório do Inquérito à Literacia Financeira da População Portuguesa

O estudo do Conselho Nacional de Supervisores Financeiros mostra que muito pouco mudou no que respeita à literacia dos portugueses desde 2010, ocasião em que foi levado a cabo o primeiro inquérito à literacia financeira em Portugal. Outras expressões como o spread continuam a fazer parte do conjunto de conceitos para os quais um grande número de indivíduos revela desconhecimento. Apenas 10,5% dos indivíduos sabem o que é a Euribor e somente 21,4% conhecem o conceito de spread, valores ainda assim um pouco superiores face aos entrevistados que em 2010 tinham conseguido acertar na identificação de qualquer um destes conceitos: 9% e 20%, respetivamente.

Apesar de algumas melhorias face a 2010, os conhecimentos financeiros continuam a revelar-se relativamente baixos em 2015“, diz o relatório do Inquérito à Literacia Financeira da população portuguesa, acrescentando que “se os conhecimentos sobre a relação entre inflação e custo de vida e sobre a relação entre risco e remuneração se revelam muito satisfatórios, o mesmo não acontece com conceitos como spread, Euribor, franquia ou garantia de capital, em que são evidentes as lacunas de compreensão”. O relatório do Conselho Nacional de Supervisores Financeiros vai ainda mais longe ao identificar que “continua também a verificar-se uma sobreavaliação de conhecimentos por parte dos inquiridos”.

Os inquiridos neste estudo revelaram também uma grande lacuna no que respeita a cálculos. Os entrevistados responderam corretamente, em média, a 2,6 das cinco questões de numeracia (que avaliam a capacidade de fazer cálculos numéricos simples em contexto financeiro), a 5,4 das nove questões sobre produtos bancários, a 1,9 das quatro questões relacionadas com seguros e a 2,1 das seis questões relacionadas com o mercado de capitais.

A maioria dos entrevistados sou responder corretamente a cálculos simples, como a divisão de 1.000 euros por cinco irmãos (88%) e à identificação do valor dos juros num empréstimo de 25 euros, por um dia (86,5%). No entanto, os inquiridos apresentaram resultados menos positivos no que diz respeito ao cálculo de juros. Cerca de 58,4% mostraram saber calcular o juro simples de um depósito de 100 euros com prazo de um ano e taxa de juro anual de 2%. No entanto, apenas 39,5% reconheceram o efeito dos juros compostos num depósito a cinco anos.

Estudantes, desempregados e reformados revelam menos conhecimentos

No que respeita os grupos populacionais que revelam menor literacia financeira, foram identificados os estudantes, os desempregados e os aposentados. Um resultado que fica em linha com o verificado no primeiro inquérito à literacia dos portugueses realizado em 2010. Neste inquérito, revelaram também maiores défices de literacia financeira os inquiridos que têm menores rendimentos e menos escolaridade. “Estes devem ser, por isso, grupos populacionais prioritários da estratégia de formação financeira, segundo o Conselho Nacional de Supervisores Financeiros.

Os entrevistados com os níveis de literacia financeira mais elevados têm maioritariamente o ensino superior e pertencem a agregados familiares com rendimento mensal bruto superior a mil euros. Indivíduos que revelam ainda hábitos regulares de poupança e um envolvimento significativo com o sistema financeiro, detendo simultaneamente produtos bancários, seguros e produtos de investimento, o que segundo o Conselho Nacional de Supervisores Financeiros “indica que a experiência de aquisição de produtos também está associada à aquisição de conhecimentos financeiros.

Em contrapartida, os níveis de literacia financeira mais reduzidos foram identificados entre os entrevistados sem escolaridade, os que pertencem a agregados familiares com rendimento mensal bruto inferior a 500 euros ou sem rendimento, os que estão excluídos do sistema financeiro, não possuindo conta bancária nem seguros, e os que não têm hábitos de poupança.

Contudo, os supervisores do sistema financeiro identificam alguns grupos populacionais que, apesar de mostrarem baixos níveis de literacia financeira em termos globais, apresentam resultados positivos no que respeita ao planeamento do orçamento familiar e da poupança. Neste grupo incluem-se os indivíduos que têm mais de 70 anos e os aposentados, que têm resultados acima da mediana no planeamento do orçamento familiar e da poupança. Nesta área, as diferenças entre homens e mulheres ou em função do nível de escolaridade também são menos significativas.

Metodologia: Dos 1.100 entrevistados, 52,8% são do sexo feminino e 56,5% fazem parte da população ativa. Metade tem idades entre os 25 e os 54 anos e 16,6% têm 70 ou mais anos. No Norte foram realizadas 34,8% das entrevistas, em Lisboa 26,5% e no Centro do país 22,4%. Cerca de 54% dos entrevistados possuem pelo menos o ensino básico completo e 19,4% têm pelo menos uma licenciatura.

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