“Maior risco é o crescimento”, avisa Fitch

Agência de rating emitiu "parecer" favorável ao Orçamento do Estado para 2017, mas deixa aviso: "Maior risco à consolidação Orçamento vem do crescimento".

A Fitchparecer favorável à proposta de Orçamento do Estado para 2017. Para a agência, o documento orçamental mostra que o Governo da minoria socialista está a manter um percurso prudente na sua política orçamental, isto “apesar da retórica anti-austeridade”. Ainda assim, deixa um aviso sério: “O maior risco à consolidação orçamental está subjugado ao crescimento económico, devido ao elevado peso do consumo sobre as receitas”.

“O plano orçamental para 2017 balanceia a redução do défice com medidas para estimular o crescimento, incluindo alguns cortes nos impostos e novos benefícios sociais. Mas apesar disto poder apoiar o consumo privado, faz pouco para incentivar o investimento, que tem sido fraco”, justifica esta agência que, apesar de não acompanhar oficialmente o rating da dívida portuguesa, tem impacto nos mercados internacionais.

"O plano orçamental para 2017 balanceia a redução do défice com medidas para estimular o crescimento, incluindo alguns cortes nos impostos e novos benefícios sociais. Mas apesar disto poder apoiar o consumo privado, faz pouco para incentivar o investimento, que tem sido fraco.”

Fitch

Além do problema do crescimento, também a banca é fonte de preocupação para a Fitch, que considera insuficiente o plano de Centeno em relação ao crédito malparado dos bancos portugueses.

“A proposta de orçamento (…) não responde totalmente aos riscos orçamentais que vêm do crescimento e dos problemas no sistema financeiro. (…) As projeções para o setor bancário continuam frágeis. A proposta orçamental diz que o Governo está a examinar ‘uma solução sistémica’ para limpar os balanços dos bancos que será ‘atrativa para os investidores’, mas não forneceu detalhes”, argumenta.

Ainda assim, há pontos na proposta que a Fitch considera positivos, nomeadamente o compromisso com a redução do défice orçamental e a estabilidade política.

“No geral, o plano prolonga o histórico do Governo da minoria socialista em relação a uma política orçamental prudente. O risco de conflitos políticos entre os socialistas e os partidos mais radicais Partido Comunista e Bloco de Esquerda recuou significativamente, assegurando maior estabilidade da política”.

Quanto ao rating não solicitado, a Fitch dá uma notação de ‘BB+’ (zona de não-investimento) com um outlook estável.

(Notícia em atualizada às 14h35)

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