Acordo UE/Mercosul: “Negociações são complexas”

  • Lusa
  • 3 Novembro 2016

Negociações para um acordo de livre comércio UE/Mercosul são complexas, mas este acordo pode futuramente trazer um impulso para a economia dos dois blocos, disse à Lusa o diretor-geral da OMC.

“Todas as negociações comerciais são complexas, levam tempo. […] Essas são negociações de peso e que podem trazer impulso importante para a economia dos dois blocos”, afirmou Roberto Azevêdo, em entrevista à Lusa por email.

Em setembro, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, José Serra, disse que o acordo de livre comércio entre o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a União Europeia deve ser finalizado entre um ano e meio ou dois anos.

José Serra declarou, na altura, que os países do Mercosul estão dispostos a levar as negociações adiante, mas ainda há resistências protecionistas por parte de alguns países europeus.

“Espanha, Itália, Portugal, Suécia estão amplamente a favor e eu confio que consigam maioria para poder acelerar o processo”, afirmou Serra, ainda em setembro.

Atualmente, há outros acordos comerciais internacionais da UE que estão em fase de negociação ou mesmo de ratificação parlamentar, como é o caso do Acordo de Livre Comércio entre a União Europeia e o Canadá (conhecido como CETA).

O Parlamento Europeu tem prevista uma votação para 17 de janeiro de 2017. Se for aprovado, o CETA será aplicado a 95%, pois para estar plenamente em vigor, é necessária a ratificação dos parlamentos dos 28 países da UE, o que poderá levar anos.

Outro exemplo é o Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP, em inglês), que está a ser ainda negociado entre os Estados Unidos e a União Europeia.

Os negociadores da UE e dos Estados Unidos começaram em 2013 conversações para criar a maior área de comércio livre no mundo, mas as conversações continuam difíceis.

“As negociações comerciais avançam em vários caminhos ao mesmo tempo – bilateral, regional e multilateral. Os países – e a UE como bloco – procuram as oportunidades onde quer que elas estejam. Um sistema comercial saudável deve avançar em todas as frentes ao mesmo tempo”, sublinhou Azevêdo.

Entretanto, segundo o diretor-geral da organização, quando iniciativas regionais tratam de temas que não são cobertos pelas regras globais, “pode-se criar um cenário em que diferentes acordos tratam do mesmo tema de maneira distinta. Isso pode dificultar e encarecer os fluxos comerciais. Essa situação faz com que avanços globais na OMC sejam cada vez mais importantes”.

“Ao mesmo tempo, vejo que iniciativas comerciais – e o comércio em si – têm sido alvo de um crescente sentimento antiglobalização”, disse.

Segundo o responsável, é preciso “comunicar melhor os benefícios do comércio”, “reconhecer e atuar nos casos em que há problemas” e “agir para fazer com que o comércio beneficie mais os pequenos também, através de novas reformas do sistema comercial global”.

Roberto Azevêdo estará em Lisboa para a WebSummit, que se realiza entre 07 e 10 de novembro, para discutir estes temas, inclusive como a tecnologia pode ajudar mais pessoas a ingressar nos fluxos comerciais.

“Certamente, podemos fazer mais para tornar o comércio mais inclusivo”, concluiu o diretor-geral da OMC.

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