Depósitos a prazo nunca pagaram tão pouco

As taxas de juro dos depósitos a prazo atingiram um novo mínimo em setembro, segundo dados do BCE. As aplicações até um ano são as menos generosas.

Colocar dinheiro em depósitos compensa cada vez menos. Dados divulgados hoje pelo Banco Central Europeu mostram que a remuneração das novas aplicações em depósitos a prazo caiu, em setembro, para um novo mínimo.

Os bancos portugueses pagaram uma taxa de juro média de 0,35% pelos novos depósitos a prazo realizados nesse mês, o que corresponde à remuneração mais baixa de sempre, tendo em conta um histórico que remonta ao início do ano 2000. Este valor fica aquém da remuneração média de 0,38% oferecida em agosto, que já era também um mínimo.

Evolução das taxas desde o pico de 2011

Fonte: BCE (Valores em percentagem)
Fonte: BCE (Valores em percentagem)

A quebra da remuneração dos depósitos a prazo acompanha o rumo descendente das taxas de juro de referência e a cada vez menor aposta dos bancos nesta classe de produtos financeiros, já que não têm urgência em captar recursos de modo a equilibrarem o rácio de transformação. A prioridade dos bancos passa agora por maximizar os seus proveitos pela via da disponibilização de crédito.

Em setembro, a generalidade dos depósitos foi afetado por uma quebra das remunerações, à exceção das aplicações superiores a dois anos, onde ocorreu uma ligeira melhoria. Nesse horizonte temporal a taxa de juro média fixou-se em 0,45%, acima dos 0,43% registados nas novas aplicações realizadas em agosto. Já nas aplicações até dois anos, a remuneração baixou de uma média de 0,37%, em agosto, para 0,34%, em setembro. De salientar ainda que as aplicações com prazos até um ano são as menos generosas para os aforradores. Quem colocou dinheiro em depósitos até um ano em setembro teve direito a uma taxa de juro média de 0,33%, que fica também aquém dos 0,36%, oferecidos em agosto.

Para além de verem as suas poupanças serem pouco valorizadas pelas instituições financeiras, a remuneração oferecida pela generalidade dos produtos é também insuficiente para anular o efeito corrosivo da inflação. Basta considerar a taxa de inflação de 1,2% prevista pelo Governo para este ano.

Novas descidas à espreita

A quebra dos juros dos depósitos é uma tendência que deverá agravar-se ainda mais. A Caixa Geral de Depósitos (CGD) decidiu arrasar com as taxas oferecidas em grande parte das suas aplicações a prazo, cortando para metade os juros oferecidos num vasto leque de contas de poupança.

"A CGD vai atualizar a 3 de novembro de 2016 as taxas de juro dos depósitos a prazo, dos depósitos de poupança e outras modalidades de depósito.”

CGD

“A CGD vai atualizar a 3 de novembro de 2016 as taxas de juro dos depósitos a prazo, dos depósitos de poupança e outras modalidades de depósito”, lê-se num comunicado de atualização do preçário do banco público. Esta atualização efetivou-se esta quinta-feira, registando-se um corte expressivo na remuneração apresentada pela instituição do Estado.

De salientar que ao ser o maior banco do mercado nacional, a instituição financeira liderada por António Domingues tem o poder de ditar a tendência das remunerações das poupanças dos portugueses.

Poupanças em queda

Apesar de se tratarem ainda do produto de poupança de eleição dos portugueses, já é notório o impacto da curta remuneração oferecida sobre os montantes aplicados em depósitos. Há mais de 140 mil milhões de euros nestes produtos comercializados pela banca, mas o valor já foi bem mais elevado. Setembro foi o segundo mês consecutivo de quebra no saldo, elevando para mais de 2.500 milhões de euros o montante que desapareceu das contas. Foi mais de metade do que tinha sido captado este ano.

Os portugueses tinham, no final de setembro, 140.202 milhões de euros em depósitos, de acordo com os dados revelados pelo Banco Central Europeu (BCE). Este valor compara negativamente com os 140.691 milhões em agosto e os 142.779 em julho. Depois da quebra de 2.088 milhões de euros registada em agosto, o saldo voltou a cair no último mês (489 milhões), elevando para 2.577 milhões a fuga em apenas dois meses.

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