António Domingues corta para metade taxas das poupanças na CGD

O banco liderado por António Domingues reviu em baixa os juros oferecidos nas suas aplicações a prazo. Cortou para metade quase todas as taxas dos novos depósitos e das renovações das poupanças.

As poupanças rendem pouco? Ainda vão render menos. Especialmente para os clientes do banco público. A Caixa Geral de Depósitos (CGD) decidiu arrasar com as taxas oferecidas em grande parte das suas aplicações a prazo, cortando para metade os juros num vasto leque de contas de poupança, tanto de particulares como de empresas. Há produtos que deixaram de dar qualquer remuneração.

“A CGD vai atualizar a 3 de novembro de 2016 as taxas de juro dos depósitos a prazo, dos depósitos de poupança e outras modalidades de depósito”, lê-se num comunicado de atualização do preçário do banco público. Esta atualização efetivou-se esta quinta-feira, registando-se um corte expressivo na remuneração apresentada pela instituição do Estado.

António Domingues

António Domingues

  • Ex-presidente da Caixa Geral de Depósitos
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A Conta Poupança Caixa Ativa, a Caixa Poupança Reformado e a Rumos, mas também a Caixa Poupança e a Caixa Poupança veem os juros afundar de 0,1% para 0,05%, ou seja, são reduzidos a metade. Mas o mesmo acontece nas contas Caixa Projeto e Caixa Projeto Emigrante, enquanto no caso das contas Caixa Habitação e Caixa Habitação Jovem, a remuneração baixa de 0,15% para 0,10%.

"A CGD vai atualizar a 3 de novembro de 2016 as taxas de juro dos depósitos a prazo, dos depósitos de poupança e outras modalidades de depósitos.”

CGD

No caso dos clientes afluentes, os CaixaAzul, há cortes também nos juros dos produtos associados ao Serviço de Gestão Automática de Tesouraria, mas neste caso as alterações incidem apenas sobre quem tem mais dinheiro e quem tem pouco, sendo estes os mais penalizados. Quem tem mais de 50 mil euros vê o juro cair de 0,1% para 0,05%, já se tiver menos de cinco mil euros, a taxa de 0,05% desaparece. O banco liderado por António Domingues deixa de dar qualquer juro. O BPI foi, entre os grandes bancos, o primeiro a deixar de dar juros nas poupanças.

Há um corte nas taxas para os particulares, mas as empresas também vão obter retornos mais baixos com as suas poupanças. O Serviço de Gestão Automática de Tesouraria para empresas, a conta Poupança Caixa Empreender e até as contas dos condomínios passam a ter taxas brutas anuais que chegam, no máximo, a 0,1%. Mas também há, entre estas, contas que deixam de ter qualquer remuneração.

A queda das taxas de juro nas aplicações a prazo é uma realidade que os portugueses, sejam eles particulares ou empresas, já têm constatado. É reflexo da política monetária do Banco Central Europeu que tem levado a uma forte descida das taxas de mercado, tornado o financiamento dos bancos cada vez mais barato nos mercados internacionais. O financiamento através do retalho é uma importante fonte de financiamento do setor, mas com tanto dinheiro barato disponível, estes acabam por cortar as taxas ao balcão.

A redução tem sido acentuada nos últimos tempos. A taxa média das novas aplicações para os particulares tem atingido mínimos históricos mês após mês, estando já abaixo de 0,4%, com tendência para continuar a descer. O fato de a CGD cortar a remuneração de todas estas aplicações para níveis muito perto de zero acaba por ter um forte impacto no mercado, podendo acelerar a descida das taxas em todo o setor. É que a CGD é o banco do Estado.

Ao ser o maior banco do mercado nacional, a instituição liderada por António Domingues tem o poder para ditar a tendência nas taxas das poupanças como se verificou no caso do crédito: o corte do spread mínimo para 1,75% nos créditos à habitação levou todo o mercado a reajustar a sua oferta para se aproximarem da proposta do banco com maior peso no mercado.

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