Bem-estar dos portugueses é cada vez maior

  • Leonor Rodrigues
  • 4 Novembro 2016

Os portugueses estão cada vez mais instruídos e participativos em atividades públicas. Já o trabalho, remuneração e vulnerabilidade económica das famílias tem evoluído de forma negativa.

O Instituto Nacional de Estatística divulgou esta sexta-feira a quarta edição do Índice de Bem-Estar (IBE) da população portuguesa relativamente aos anos entre 2004 e 2015. Neste período, o IBE registou uma evolução positiva, ainda que com uma quebra no ano de 2012, voltando a recuperar em 2014. A previsão é de que, em 2015, este crescimento se mantenha.

O estudo recorre a dois índices sintéticos que se focam em duas perspetivas de análise, nomeadamente as Condições materiais de vida — em que se inserem os domínios bem-estar económico, vulnerabilidade económica e trabalho e remuneração — e a Qualidade de vida — saúde, balanço vida-trabalho, educação, segurança pessoal, participação cívica e governação, relações sociais e bem-estar subjetivo e ambiente. Nos primeiros anos da análise, os dois índices encontravam-se em sentidos opostos, com o primeiro a registar uma quebra e o segundo um crescimento. No entanto, a partir de 2013, os dois iniciaram uma evolução positiva, traduzindo-se na melhoria do bem-estar em Portugal.

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O domínio do bem-estar económico cresceu significativamente até ao início da crise económica e só voltou a recuperar a partir de 2012. Neste aspeto, o indicador que mais pesou para esta evolução foi o relativo aos recursos económicos das famílias, que cresceu dez pontos percentuais até 2009, perdendo o mesmo valor entre 2010 e 2012, e só em 2014 se verificou uma ligeira recuperação.

O domínio da vulnerabilidade económica é um dos que regista uma evolução mais desfavorável, devido, principalmente, ao aumento do desemprego, elevados níveis de endividamento das famílias e dificuldade em pagar os créditos assumidos com a habitação, por exemplo, afetando o bem-estar geral da população.

O domínio do trabalho e remuneração é “a componente do bem-estar com evolução mais desfavorável, devido essencialmente ao aumento do desemprego e de outras variáveis com ele relacionadas, que se acentuou a partir de 2009″, de acordo com o INE. No entanto, a partir de 2012, regista-se uma ligeira inversão desta tendência e a previsão é de que em 2015 a melhoria continue.

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O índice relativo ao risco de pobreza monetária é outro dos que se agravou substancialmente nos anos da crise económica em Portugal: até 2011, a taxa cresceu 8,4 pontos percentuais. “O indicador taxa de risco de pobreza, após 2010, merece, no entanto, uma leitura atenta, na medida em que esta reflete a acentuada descida do rendimento mediano e a consequente redução do limiar de pobreza em 2011 e 2012”, explica o relatório.

Em questões de saúde, os portugueses consideram que os serviços têm melhorado desde 2004, sendo a quarta evolução mais favorável do índice. Neste domínio, o aumento foi de 22,6 pontos percentuais entre 2004 e 2014.

Outro importante fator que contribui para o bem-estar dos portugueses é a conciliação entre o tempo dedicado ao trabalho e a vida social, que também registou uma evolução positiva, principalmente até 2011.

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Já no âmbito da educação, conhecimento e competências, “cinco dos onze indicadores deste domínio apresentaram no período 2004-2014 variações superiores a 100 pontos percentuais”. De destacar o aumento das publicações científicas e doutoramentos. Neste último ponto, 11,2% em cada 100 mil habitantes são doutorados.

Em termos de participação cívica e governação, a variação foi negativa até 2010 (47,6 pontos percentuais), invertendo-se a tendência a partir de 2011, contribuindo o aumento da participação da população em atividades públicas (+185,5 pontos percentuais) e o interesse pela política (+40,2 pontos percentuais). Já a participação eleitoral registou uma queda de 13 pontos percentuais.

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A taxa de criminalidade em Portugal é outro indicador com evolução negativa. “A taxa de homicídio voluntário consumado contrasta com a do número de crianças e jovens vítimas de crime: a primeira melhora e a segunda agrava-se”. No período em análise, o grau de confiança nas autoridades policiais também registou um decréscimo de 34,9 pontos percentuais. No entanto, a partir de 2014, a taxa de criminalidade começa a dar sinais de voltar a diminuir.

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O IBE é um estudo anual português e as variáveis que o integram têm como base os procedimentos administrativos e estatísticos desenvolvidos pelo Sistema Estatístico Nacional, Sistema Estatístico Europeu e Banco Mundial, entre outros.

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