Eleições americanas provocam o caos nas bolsas

O voto dos mercados é claro. Investidores não querem que Trump vença as eleições. Mas com a subida do candidato republicano nas sondagens, está tudo em pânico.

São vários os sinais de stress que os mercados têm evidenciado na última semana. O nervosismo tomou conta dos investidores depois de o FBI ter anunciado há uma semana que vai reabrir o caso dos emails que Hillary Clinton enviou através da sua conta pessoal. Um acontecimento que catapultou Donald Trump nas sondagens ao ponto de o candidato republicano nunca ter estado tão perto da Casa Branca. Para os investidores, só imaginar Trump como presidente da maior economia do mundo bastou para um selloff nos mercados de risco (ações) e um movimento em direção a mercados habitualmente considerados abrigo para ter dinheiro aplicado (como o do ouro).

S&P 500 iguala pior período desde crash em 2008

São oito sessões seguidas sem provar ganhos. O S&P 500, que serve de referência para investidores em todo o mundo, não para de cair desde que o FBI reabriu a investigação a Clinton, atirando o índice composto pelas 500 maiores empresas do mundo para mínimos de mais de quatro meses.

Trump atira S&P 500 para mínimos

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Fonte: Bloomberg. (Valores em pontos)

Medo dispara em Wall Street

Medindo a volatilidade do S&P 500, o índice VIX, considerado o índice que reflete o medo dos investidores, disparou nos últimos dias para máximos desde que o Reino Unido decidiu abandonar a União Europeia.

“Até há uma semana, o mercado calculava que Hillary iria ganhar mas a corrida agora parece aquecer novamente. Ninguém sabe realmente o que esperar de Trump, por isso o mercado está nervoso”, referia esta semana Christian Zogg, analista da LLB Asset Management, à Bloomberg.

Medo atinge níveis pós-votação do Brexit

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Fonte: Bloomberg. (Valores em pontos)

¡Ay, caramba! Trump afunda peso mexicano

É conhecido o desamor do candidato em relação à população imigrante a residir nos EUA. Em relação aos vizinhos do México, a ideia de construir um muro na fronteira para impedir que mexicanos entrem ilegalmente no país representará um obstáculo às trocas comerciais entre as duas economias. Com isso sofre o peso mexicano. A tendência de subida do peso face ao dólar significa que a moeda mexicana está a desvalorizar — por cada dólar, o investidor paga mais pesos, ou seja, o peso vale menos.

“Qualquer sondagem que mostre que Trump possa perder irá beneficiar o peso mexicano. Desde o cancelamento da NAFTA (acordo de comércio livre entre os dois países) até ao pagamento de um muro por parte do México — não há boas notícias para o México com a campanha de Trump”, justificava Charles Robertson, economista-chefe da Renaissance Capital, à Bloomberg.

Trump pesa bastante na questão mexicana

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Fonte: Bloomberg. (Valores em dólar/peso mexicano)

Risco americano em máximos

No mercado secundário, o risco norte-americano percecionado pelos investidores também acompanhou a subida de Trump nas sondagens. A taxa de juro que o mercado está a exigir para absorver obrigações do Tesouro norte-americano atingiu o valor mais alto desde junho no dia em que o FBI reabriu a investigação a Clinton.

“O relatório do desemprego foi positivo mas não foi inteiramente sólido. O foco está mais na incerteza da próxima semana, nas eleições”, disse o estratego do BNP Paribas Timothy High.

Medo faz ouro brilhar

Com o aumento do risco no mercado, o movimento natural dos investidores é procurar refúgio em ativos considerados seguros, estáveis e relativamente impermeáveis face a qualquer tempestade que possa ocorrer. São exemplos de ativos de refúgio o franco suíço, as obrigações alemãs e… o ouro. O metal amarelo dispara desde o início do mês para máximos de mais de dois meses.

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Fonte: Bloomberg. (Valores dólar por onça)

Segundo Jeffrey Nichols, economista da Rosland Capital, “no geral, as notícias económicas sobre o desemprego são menos importantes neste ambiente. O que está a guiar o ouro para ganhos ou perdas é o sentimento em relação às eleições e o julgamento do mercado sobre uma possível vitória de Trump”.

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