Lisboa lá fora: retrato de uma nova cidade

  • Juliana Nogueira Santos
  • 6 Novembro 2016

O que é que Berlim, Silicon Valley e Lisboa têm em comum? Os meios de comunicação estrangeiros dizem-lhe.

Já correu muita tinta nos meios de comunicação portugueses acerca do espírito empreendedor que se vive em Lisboa: a crescente aparição de incubadoras de startups, os novos negócios que vêm pintar as fachadas antigas e abrir as portas já fechadas há anos, o querer fazer que caracteriza desde sempre o povo luso e, mais recentemente, a imigração da conferência de tecnologia mais sonante dos últimos tempos, a Web Summit, têm permitido o estabelecimento de uma nova era no panorama empresarial da cidade.

Contudo, nos média estrangeiros a conversa é outra, falando-se da cidade como a próxima alguma coisa: a próxima capital da tecnologia, a próxima Silicon Valley — ou a Silicon Valley europeia –, a próxima Berlim… Nas últimas semanas foram vários os media internacionais a caracterizar a capital portuguesa. Mas o que é que eles dizem?

Guardian e a nova capital tecnológica

O The Guardian foi o primeiro a virar as suas atenções para a capital portuguesa e a afirmar que aqui existiam as características necessárias para o nascimento de uma nova capital tecnológica – sol, surf e rendas baixas.

Além de incluir as declarações oficiais do Ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, vários empreendedores são citados e afirmam particularidades únicas de Lisboa, como os preços baixos, o tempo e a simpatia das pessoas. Tudo isto para justificar o porquê de muitas empresas se estarem a estabelecer na cidade e de haverem tantas outras a escolher esta como berço.

Reuters e o buzz de Berlim

O retrato da cidade feito pela agência Reuters sublinha as características joviais e vibrantes da cidade, que deposita nas startups uma nova esperança para reverter “a crise económica mais profunda em 4o anos”. Entre estas estão a presença de talento, os custos baixos, facto de a maioria das pessoas falar inglês e, claro, o bom tempo e vida social atrativos.

Através de diferentes declarações de empreendedores, é reiterado o hype levantado à volta da cidade: “Podes construir um produto, uma empresa, a um burn rate mais baixo do que em qualquer outro país, com pessoas talentosas…” afirma Anthony Douglas, criador da aplicação de golfe Hole19.

De acordo com um estudo citado pela agência, 689 empreendedores apostariam em Lisboa, se pudessem começar de novo. Assim, e ao serem destacadas as diferenças significantes entre as duas cidades, a Reuters afirma que Lisboa quer seguir os passos de Berlim, “gerando um buzz tecnológico cool“.

France Press e a Silicon Valley europeia

A agência francesa, citada pela Yahoo News, considera a situação económica portuguesa — anterior e atual — o ponto de partida para a “expansão do setor das startups”, expansão esta impulsionada pela Web Summit.

As características destacadas neste artigo são as afirmadas por Paddy Cosgrove na apresentação da conferência: “uma infraestrutura forte, uma “comunidade tecnológica vibrante”, rendas baratas e mão-de-obra formada que é fluente em Inglês”.

Tal como a Reuters, as comparações com outras cidades como Amesterdão e Paris são feitas, contudo, o foco vai para Silicon Valley, o maior hub tecnológico mundial, e para a capacidade que Lisboa tem para competir com este, e com todos os outros.

Afinal Lisboa é o quê?

Com toda esta confusão daquilo que Lisboa é ou pode vir a ser, o projeto Define Lisboa cumpre o seu nome ao afirmar que Lisboa é a nova Lisboa, com as suas características, os seus objetivos e, principalmente, o seu ecossistema.

 

 

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