Farmacêuticas aplaudem vitória de Donald Trump

  • Rita Atalaia
  • 9 Novembro 2016

As ações das farmacêuticas europeias estão a dominar a subida entre os principais setores da região. As empresas acreditam que a política de Trump poderá trazer benefícios e menos risco.

O setor da saúde é quem mais está a beneficiar da vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais dos EUA. O setor sobe acentuadamente, num dia negativo para as bolsas europeias. As farmacêuticas estão a ser animadas pela perspetiva de a presidência de Trump trazer menos riscos para os preços dos medicamentos.

Farmacêuticas - Medicamentos

Durante meses, a candidata democrata Hillary Clinton sinalizou a possibilidade de uma descida dos preços nos EUA, o que pressionou um dos mercados mais lucrativos no setor. Hoje, com a vitória de Donald Trump, as farmacêuticas podem suspirar de alívio. O setor está a subir quase 4% para 692 pontos, contrariando as perdas do Stoxx 600. E dentro do setor há quem se destaque de forma mais pronunciada: a Novo Nordisk sobe 7,4%, a Hikma valoriza 7,3% e a Roche ganha 5,1%.

Vitória de Trump anima setor da saúde europeu

Fonte: Bloomberg
Fonte: Bloomberg (valores em pontos)

A maioria dos analistas espera que as ações do setor da saúde acelerem também na sessão dos EUA. Isto tudo porque Trump prometeu revogar a lei dos cuidados de saúde de Barack Obama, conhecida por Obamacare, que diminuiu as margens das seguradoras privadas. A BS Wealth Management aconselha mesmo os investidores a comprarem ações no setor farmacêutico norte-americano, assim como de financeiras e energéticas.

“Esta é uma reação óbvia aos resultados das eleições dos EUA”, diz Thorsten Strauss da NordLB, embora o analista esteja de “certa forma surpreendido” com a subida acentuada das ações. Embora o plano de Clinton de limitar os preços dos medicamentos “seria mau para as farmacêuticas”, revogar o Obamacare também não é positivo, diz Thorsten Strauss.

Por outro lado, Bryan Rye, analista da Bloomberg Intelligence, diz que a vitória de Trump vai trazer mudanças significativas para as seguradoras, hospitais e farmacêuticas, já que os republicanos vão querer implementar uma legislação mais agressiva para “enfraquecer o Obamacare”.

O que vai acontecer agora ao setor?

Donald Trump diz que “embora o setor farmacêutico seja privado, as farmacêuticas oferecem um serviço público”. O novo Presidente da maior economia do mundo quer remover as barreiras de entrada no mercado livre para as farmacêuticas que oferecem “produtos seguros, de confiança e mais baratos”.

“As reformas vão reduzir os custos dos cuidados de saúde para todos os norte-americanos”, que Trump diz terem suportado o “incrível fardo económico do Obamacare”. Tudo isto está detalhado no programa de Governo apresentado pelo agora Presidente durante a campanha eleitoral.

Mas estes custos vão descer à custa da diminuição do número de pessoas com acesso ao sistema de saúde. “A prestação de cuidados de saúde a imigrantes ilegais custa-nos cerca de 11 mil milhões de dólares por ano. Se simplesmente impusermos as leis atuais da imigração e limitarmos a atribuição de vistos neste país, podemos aliviar os custos dos cuidados de saúde a nível dos governos locais e estatais”, explica Trump.

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