O amor e a tecnologia em tempo de Tinder

Desde que foi criado, o Tinder proporcionou 20 mil milhões de matches. O próximo passo é fazer com que conhecer as pessoas seja tão fácil quanto encontrá-las.

Querido Sean,

Obrigado por criares o Tinder. Encontrei o amor da minha vida ao fim de 27 anos. Vamos casar-nos em maio.

Podia ser inventado, mas não era. A moderadora da conversa com Sean Rad conferiu que a mensagem estava mesmo na caixa de mensagens do fundador do Tinder. O criador da rede social de encontros mais popular do mundo esteve à conversa com Farrah Storr, chefe de redação da Cosmopolitan UK, no final do segundo dia do Web Summit, num debate com o mesmo título deste artigo.

A conclusão? O Tinder não está cá para facilitar engates fáceis. Ou também está. Mas é muito mais que isso.

Comecemos pelo início. Um Sead Rad mais novo estava numa cafetaria onde também estava uma rapariga com quem queria muito falar. Faltou-lhe a coragem e nunca o fez. Acabou por criar uma ferramenta que revolucionou a forma como alguns de nós hoje se relacionam.

“Pensei que, se conseguisse eliminar essa ansiedade, poderiam fazer-se tantas conexões que não são possíveis isto. Nunca pensei que acabaria por explodir desta forma“, contou Sean Rad. Mas a verdade, diz, é que acabou por construir uma plataforma que empodera homens e mulheres.

“Cada um decide com quem falar, em vez de estar num ambiente em que qualquer pessoa pode abordar-nos. Sem ofender ninguém, escolhemos a quem queremos responder”. É, de forma resumida, o sistema do swipe: aparece-nos um perfil; estamos interessados, passamos a imagem para a direita; não estamos, passamos a imagem para a esquerda e a conversa nem sequer chega a começar.

É assim tão simples? Quase. “O que queremos é criar uma experiência simples para o utilizador, mas chegar ao cerne do que ele procura. O foco do Tinder é a interceção dos nossos gostos com os gostos das outras pessoas“, explica Sean Rad.

O próximo passo é bem mais complexo. “Mudámos, fundamentalmente, a forma como as pessoas se conectam. Mas o que é que vem a seguir? É conhecer o nosso match e tornar isso tão fácil como foi encontrá-lo. É com isso que estamos obcecados agora, para que as pessoas que assim o desejem consigam criar uma relação com significado”.

E têm conseguido fazê-lo? Não há estatísticas para tudo, mas há algumas. Desde que foi lançado, em 2014, o Tinder já regista 20 mil milhões de matches (aquilo a que se chama quando um perfil corresponde com o outro). Sean Rad não sabe quantos desses deram em casamentos ou relações, mas sabe que tem a caixa de entrada cheia de mensagens como a que abriu este artigo.

Agora, é altura de a empresa crescer. “Duplicámos em tamanho no último ano. Arranjámos um escritório em Palo Alto, aumentámos a nossa equipa de engenharia. Hoje, somos 200 pessoas e é estranho entrar no escritório e não reconhecer toda a gente. Mas é recompensador aprender o que significa ser um líder nas várias fases de crescimento de uma empresa”, conclui o fundador do Tinder.

Comentários ({{ total }})

O amor e a tecnologia em tempo de Tinder

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião