Eles andam aí. Há sete mil portugueses no Web Summit. O que procuram?

Dinheiro, conhecimento, recursos humanos. Cada um está por razões diferentes, todos esperam retirar o máximo possível destes dias.

53 mil pessoas estão, por esta altura, a correr a FIL e o Meo Arena, no primeiro dia do maior evento de tecnologia e empreendedorismo do mundo. Estão atrás de investidores, de potenciais clientes, conselhos ou apenas um discurso que os inspire a passar para o nível seguinte. Entre eles, há mais de sete mil portugueses. O que procuram e o que esperam retirar do Web Summit? Fomos saber.

Inês Mateus, Storyo

“Storyo? É comigo!”. Estávamos à procura da aplicação que transforma fotografias e pegada digital em clips de vídeo e Inês Mateus encontrou-nos.

O que estão a fazer por cá? Em primeiro lugar, “a divertir pessoas com a personagem que criámos”, explica a responsável de marketing da startup portuguesa que já está presente em 40 países. A personagem é o pandicórnio, uma mistura de panda, relaxado e amigo, com unicórnio, que é único.

Inês Mateus, responsável de marketing da Storyo.
Inês Mateus, responsável de marketing da Storyo.Paula Nunes / ECO

Não menos importante, estão à procura de jornalistas e investidores. Cá estamos nós, em que podemos ser úteis? “Vamos apresentar a nova versão do nosso produto em dezembro. Vai ser uma funcionalidade colaborativa, em que, no final de um dia de amigos, cada um pode juntar a um grupo apenas uma ou duas fotografias do dia e a nossa aplicação junta todas para fazer o vídeo”.

Quanto aos investidores, não é dinheiro que procuram. “Precisamos de conhecimento. O nosso ecossistema, de social media, é muito competitivo e precisamos do know-how de quem já lá está para nos ajudar”, resume Inês Mateus.

Bruno Costa, A Little Chef Inside

Acredite se quiser: dentro destas pequenas máquinas, há uma grande chefe de cozinha. É Justa Nobre.

Bruno Costa, fundador da A Little Chef Inside.
Bruno Costa, fundador da A Little Chef Inside.Paula Nunes / ECO

Perdão? Bruno Costa, que há seis meses fundou a A Little Chef Inside, explica-nos. São máquinas de comida saudável e focam-se em três pontos chave: “comida, na vertente saudável, tecnologia, algo muito importante para a nova geração, e o romper com o conceito tradicional de vending machines“.

Para isso, vão “colocar as máquinas nos locais de trabalho para que, a qualquer hora do dia, os trabalhadores possam ter uma refeição saudável”.

As refeições são vegan, paleo ou vegetarianas e são sempre sopas, concebidas por Justa Nobre. Não há dinheiro físico envolvido. Quem as quiser, pode usar cartão ou a sua conta associada à empresa e recorrer a QR Code para fazer o pagamento.

Por estes dias, Bruno Costa procura investidores para angariar 500 mil euros e, assim, “alavancar o negócio e encontrar potenciais clientes”, que são as grandes empresas.

Para já, têm negócio fechado com três empresas, encontraram um potencial parceiro do Dubai e vão lançar-se oficialmente no Dubai. Esta terça-feira, o mundo viu, pela primeira vez, as máquinas de sopas a dois euros.

João Almeida, City Guru

E se, em vez de se sentarem ao colo do Fernando Pessoa, os turistas forem visitar os cemitérios de Lisboa? Pode parecer mórbido, mas, pelo menos, de certeza que não vai ter outros milhares de turistas à sua volta. É isso que oferece a City Guru: percursos alternativos por Lisboa, com guias nativos da capital.

Há precisamente um ano, a equipa desta startup portuguesa esteve em Dublin, na última edição do Web Summit que decorreu na capital irlandesa, e angariou um investimento de 200 mil euros. Agora, querem passar ao nível seguinte.

João Almeida, CEO da City Guru.
João Almeida, CEO da City Guru.Paula Nunes / ECO

“Estamos à procura de um milhão de euros por uma participação de 10% na nossa empresa”, conta João Almeida, CEO da City Guru.

O objetivo: desenvolver o novo modelo de aplicação que lançaram há duas semanas, uma mistura de Tinder com Uber. “Basicamente, os utilizadores registam-se ou como turistas, ou como guias, e a aplicação faz o match. Se eu, turista, estiver interessado em ver arte, a City Guru vai juntar-me com um guia que, no seu perfil, diga ser especialista em arte”.

Entram em contacto no chat, iniciam a visita na própria aplicação, et voilà. São 15 euros por hora e a visita termina quando o turista disser que termina. A City Guru ganha uma comissão de 15%, o guia recebe o resto.

Com o dinheiro levantado, a empresa espera, também, reforçar a operação da aplicação em Londres, Amesterdão e Auckland, cidades onde acabaram de entrar.

Paulo Calçada, ScaleUp Porto

Há um grupo de pessoas empenhada em manter no Porto as startups nascidas na Invicta. Chama-se ScaleUp Porto e é uma iniciativa da Câmara Municipal do Porto, da Universidade e do Politécnico do Porto. Também estão pelo Web Summit e o objetivo destes três dias é só um: apoiar a comunidade de startups portuenses a ser vista.

Paulo Calçada, da Porto Digital, esteve por trás da ScaleUp Porto.
Paulo Calçada, da Porto Digital, esteve por trás da ScaleUp Porto.Paula Nunes / ECO

“Um dos principais problemas do Porto é a retenção. Temos uma cidade que já é um ecossistema de inovação e empreendedorismo, faltava esta fase do scale up, de não terem de ir pedir investimento lá fora para poderem crescer. Foi nessa lógica que arrancámos com isto”, explica Paulo Calçada, da Porto Digital, que esteve por trás do projeto.

A ideia não passa necessariamente por encontrar já investimento, mas dar orientação e garantir um “crescimento orgânico”. E também não passa por alcançar centenas de empresas.

“A quantidade não é o mais relevante. Basta trabalharmos com 10 empresas para criarmos muito emprego”.

No fundo, a ScaleUp faz a ponte. “Contactamos as grandes empresas e perguntamos-lhes o que estão à procura, de que produtos precisam, com que áreas de negócio se identificam. E, depois, preparamos as startups para irem ter com elas”.

Nuno Veloso, Porto i/o

Começaram em 2014 como um ponto de encontro entre o “pessoal digital” do Porto. Hoje, têm dois espaços de coworking, um na zona da Ribeira e outro na Baixa, que contam 70 postos de trabalho entre estes dois espaços. O da Baixa já está cheio, o da Ribeira para lá caminha, e 40% do pessoal digital é estrangeiro.

Nuno Veloso, ao centro, é um dos fundadores da Porto i/o.
Nuno Veloso, ao centro, é um dos fundadores da Porto i/o.Paula Nunes / ECO

Agora, e depois de terem sido o ponto de encontro oficial durante a road trip do Web Summit, estão por aqui, a “promover o Porto como cidade de destino para os nómadas digitais, ou para o pessoal que queira mudar-se para lá”, conta Nuno Veloso, um dos fundadores da Porto i/o.

“Estamos a criar programas para trazer nómadas ao Porto e a criar conceitos novos. Vamos por exemplo, ‘privatizar’ o piso de cima do espaço de coworking da Ribeira, ou seja, quem quiser reserva o espaço só para si”, anuncia o empreendedor.

Noelia Novella, Doinn

A Doinn já não é novata nestas andanças, apesar da tenra idade. A funcionar desde julho de 2015, esta ponte tecnológica entre fornecedores de serviços e proprietários de alojamento local conseguiu, este ano, um investimento da Portugal Ventures, contando já com mais de 12 mil serviços e 750 apartamentos registados.

Foram selecionados para fazer um pitch, mas não estão à procura de novo investimento. Também não é conhecimento que procuram. O que é, então? “Estamos a recrutar. A empresa está a crescer e a equipa tem de crescer também”, diz Noelia Novella, CEO da Doinn.

Noelia Novella, à direita, com a equipa da Doinn.
Noelia Novella, à direita, com a equipa da Doinn.Paula Nunes / ECO

Para onde crescem? “Quando começámos, estávamos a crescer, todos os meses, à volta de 50%. Agora, estamos na casa dos 35%. Por isso, o objetivo já não é crescer em Portugal, é expandirmo-nos: para Paris Barcelona e Amesterdão, antes de este ano terminar”.

Para isso, procuram dois programadores de PHp e dois business developers. Isto a curto prazo. “A médio prazo, vamos precisar de mais”, promete Noelia Novella.

Sebastião de Lancastre, Abypay

Há um problema no mundo e Sebastião de Lancastre quer resolvê-lo. Na verdade, há vários, mas este incomoda-o particularmente. São as transferências de dinheiro e as taxas cobradas por elas, a chegar aos 7%.

Sebastião de Lancastre, da Abypay.
Sebastião de Lancastre, da Abypay.Paula Nunes / ECO

A solução: “fazer as transferências em tempo real, com um custo de um ou dois cêntimos”, explica o consultor da Easypay, a empresa por trás desta solução de pagamento, a Abypay.

A Abypay vai ser lançada em janeiro e, antes disso, os responsáveis procuram um grande investimento, superior a 10 milhões de euros. Por que razão deveria alguém investir este dinheiro? Porque, diz Sebastião de Lancastre, não há concorrente que ofereça tudo o que eles podem.

“Funcionamos à base de blockchain (a tecnologia das bitcoins), para permitir fazer as transferências ou pagamentos em tempo real, com baixos custos e com 35 moedas diferentes. O cliente pode ter quantas contas quiser, sem pagar nada por elas, e basta o seu nome, email e telemóvel para começar a usar a Abypay”, detalha.

Neste momento, explica o responsável, o que há no mercado não oferece tudo isto em simultâneo. Uns só permitem usar o serviço dentro de alguns países, outros só permitem usar bitcoins, outros ainda não permitem fazer pagamentos a comerciantes.

A partir de janeiro, a Abypay vai permitir tudo isto. Vão arrancar com seis mil comerciantes, presentes em cinco países, e o objetivo é chegar a 15 mil no primeiro trimestre.

  • Paula Nunes
  • Fotojornalista

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