Goldman Sachs: Trump é mau para a economia global

  • Marta Santos Silva
  • 17 Novembro 2016

Primeiro os interesses norte-americanos: foi esta a promessa de Donald Trump. E é por isso que os economistas do Goldman Sachs acreditam que vai, com isso, prejudicar a economia mundial.

Donald Trump vai fazer mal à economia mundial. A previsão é do economista-chefe do Goldman Sachs, Jan Hatzius, que analisou as políticas do presidente-eleito, baseadas nas suas promessas de maior protecionismo e menos impostos, e concluiu que Trump até poderá aumentar o crescimento dos EUA a curto prazo, mas vai prejudicar a economia de todo o mundo.

Num relatório de antevisão de 2017 citado pelo Business Insider, Jan Hatzius tomou em conta as principais propostas económicas de Trump, como a imposição de tarifas mais altas no comércio externo, o corte generalizado de impostos para empresas e singulares, e o aumento de estímulos federais. A conclusão é que o plano vai ter “efeitos negativos noutras economias, em especial nas dos mercados emergentes que tenham taxas de câmbio parcialmente fixas ou nas economias dolarizadas“, escreveu Hatzius.

Esse efeito explica-se pelo dólar mais forte que o plano económico de Trump criaria, graças à subida de taxas da Reserva Federal dos EUA (Fed) e à redução das importações. Resultado? Uma atividade económica mais tímida, em especial nos mercados emergentes, que faria baixar o PIB mundial em cerca de 0,1% por ano relativamente às previsões sem Donald Trump.

O economista do Goldman Sachs faz mais uma análise que é negativa para o próximo presidente dos Estados Unidos: embora o seu plano pudesse aumentar o crescimento dentro das fronteiras dos EUA, este seria apenas de curta duração. “Os efeitos a longo prazo no crescimento dos EUA são negativos, porque os estímulos fiscais vão desaparecendo e as outras políticas — tarifas mais elevadas, redução da imigração, e uma política mais rígida na Fed — prejudicam o crescimento”, lê-se no relatório citado pelo Business Insider.

Hatzius aproveita para sublinhar, porém, que a falta de clareza em muitas das propostas de Trump leva a alguma incerteza nas previsões, podendo haver riscos de um crescimento ainda menor do que a Goldman Sachs antecipa neste relatório, por exemplo se o novo presidente se focar mais no protecionismo e menos nos estímulos fiscais. “O cenário ‘adverso’ mostra que neste caso o crescimento dos EUA pode ser muito mais baixo, com efeitos negativos mais significativos a atingirem o resto do mundo”, escreve.

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