E o MAAT aqui mesmo ao lado

  • Paula Paz Dias
  • 18 Novembro 2016

O MAAT já está aberto. E com um cartaz suficientemente rico para justificar uma visita. Senão às exposições multidisciplinares, ao próprio museu, que vale por si.

O novo ícone cultural e paisagístico da cidade de Lisboa, o MAAT (Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia), atraiu 15.000 pessoas quando abriu as portas ao público, no dia 5 de outubro, e continua a atrair diariamente milhares de pessoas.

Este projeto da Fundação EDP unifica, num campus de 38 mil metros quadrados, a centenária Central Tejo, grande exemplo nacional da arquitetura industrial da primeira metade do século XX, com o novo edifício de arquitetura orgânica da britânica Amanda Levete, que cria espaços de exposição sob uma cobertura ondulante, concebida para criar um novo espaço público por cima das galerias.

Interdisciplinaridade museológica

Pedro Gadanho, diretor do MATT que entre 2012 e 2015 foi curador no departamento de arquitetura e design do MOMA, Museum of Modern Art, em Nova Iorque, esclarece que o seu objetivo é cruzar no mesmo espaço museológico as disciplinas de arte, arquitetura e tecnologia, refletindo sobre os grandes temas e tendências atuais.

Preveem-se, em média, 18 exposições por ano e a programação pretende, por um lado, apresentar diferentes olhares curatoriais sobre a Coleção de Arte da Fundação EDP e, por outro lado, trazer a Lisboa as exposições itinerantes internacionais.

Para o efeito, os dois edifícios propõem 8 espaços expositivos: no renovado edifício da Central Tejo, a Sala das Caldeiras e a Sala do Cinzeiro 8, que já existiam, e as novas Central 1 e Central 2; no novo edifício, a Sala Oval, a Galeria Principal, o Project Room e o Video Room.

A programação do MAAT iniciou-se a 30 de junho com a apresentação de quatro exposições na Central Tejo:

  • Lightopia, uma reflexão sobre a relação da luz elétrica com a cultura contemporânea, através de obras de artistas, designers e arquitetos, organizada pelo museu alemão Vitra Design;
  • Segunda Natureza, a primeira de várias perspetivas curatoriais sobre a Coleção de Arte da Fundação EDP, reunindo obras de vinte e seis artistas, entre os quais, Gabriela Albergaria, Alberto Carneiro, Vasco Araújo, Julião Sarmento e Suzanne Themlitz;
  • Artists’ Film International 2016, intervenção contemporânea com projeção de videoarte, integrada num programa iniciado em 2008 pela Whitechapel Gallery (Londres) a que o MAAT se associou.
  • Silóquios e Solilóquios sobre a Morte, a Vida e outros Interlúdios, de Edgar Martins, oferece um olhar sobre a morte, através de fotografias, apropriações fotográficas e textos.

O cardápio das exposições inaugurais da remodelada Central Tejo prometia uma aposta de excelência e a inauguração do novo edifício do MAAT, no dia em que se celebra a implantação da República, não dececionou as expectativas.

Pynchon Park

Pynchon Park foi o highlight da abertura das portas ao público do novo edifício. Esta instalação corresponde à primeira parte do projeto Utopia/Distopia, uma obra da francesa Dominique Gonzalez-Foerster, concebida especialmente para este espaço e que ocupa os quase mil metros quadrados da Galeria Oval do MAAT. Evocando um conto de fadas para o século XXI, a artista concebeu Pynchon Park como um recinto no qual seres de outro mundo observariam o comportamento humano nas melhores condições possíveis.

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Dominique Gonzalez-Foerster combina nesta obra vários meios artísticos – escultura, som, luz, performance – com referencias literárias clássicas e ideias de distopia derivadas do universo da ficção científica, proporcionando uma experiência lúdica e intrigante aos espetadores, que se tornam parte da obra de arte. Esta interação com o espetador estará, certamente, na base do aquepreço que esta instalação tem tido por parte dos visitantes.

O mundo de Charles e Ray Eames

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Esta exposição, que veio substituir Lightopia, foi organizada pelo Barbican Center de Londres e mostra os objetos mais famosos, protótipos experimentais e trabalhos pouco conhecidos em fotografia e filme de Charles e Ray Eames, casal de designers, que em 1941 iniciou a sua colaboração para toda a vida. Trata-se de uma visita ao atelier Eames na Califórnia, espécie de laboratório interdisciplinar, onde durante quatro décadas, este casal de designers investigou e desenvolveu um leque diversificado e modernista de produtos, mobiliário, design gráfico, projetos expositivos e arquitetónicos.

A Forma da Forma

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A Forma da Forma é uma exposição da 4ª Edição da Trienal de Arquitetura de Lisboa, em que três arquitetos constroem um diálogo que desafia as noções de autoria e os limites da forma. A narrativa da exposição articula-se em torno de vários espaços que nascem de alguns dos projetos de arquitetura de Johnston Marklee, Nuno Brandão Costa e Office KGDVS, responsáveis pelo projeto expositivo.

Circuito Central Elétrica

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A única exposição permanente do MAAT é a dos objetos industriais da Central Tejo, desde caldeiras de alta pressão a turbo-alternadores, todo um conjunto de maquinaria original que evoca o funcionamento e o ambiente de trabalho da antiga fábrica. Desta forma, a Central Tejo continua a contar a história da eletricidade, confluindo no Circuito Central Elétrica a memória tecnológica e as novas energias do futuro.

As exposições vem-se sucedendo a um ritmo invejável e, no pretérito dia 9, três outras exposições inauguraram…

Rui Calçada Bastos. Walking Distance.

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Esta exposição é composta por fragmentos do registo obsessivo do artista, predador visual que os reúne de forma inesperada. Rui Calçada Bastos fotografa e filma artefactos abandonados, pequenas cenas banais onde o local se torna global, pormenores de construções ou cenários mais abertos, mas sempre fragmentários. Recolhe também peças do seu quotidiano urbano, que passam a desempenhar papéis escultóricos e que ele recompõe, por vezes, segundo lógicas de instalação.

Misquoteros – A Selection of T-shirt Fronts

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Esta exposição de Eduardo Batarda reúne um conjunto de trinta pinturas com características formais e conceptuais semelhantes entre si, que o autor considera como uma só obra, e que correspondem ao mais recente trabalho do artista que, este ano, comemora 50 anos de carreira. Trata-se de um trabalho idiossincrático, em que o recurso à ironia, à tragicomédia e ao sarcasmo (sobretudo virado para si próprio e para o desempenho da sua condição de artista) reflete as questões inerentes à prática e à história da pintura.

Liquid Skin – Apichatpong Weerasethakul, Joaquim Sapinho

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A relação entre as artes plásticas e o cinema é hoje uma temática central. Os artistas fazem filmes, os cineastas fazem exposições, por seu turno, os filmes são instalações, as imagens são esculturas. O ponto de partida dos dois artistas nesta exposição é o próprio espaço da Sala das Caldeiras, marcado pela relação entre interior e exterior, tal como o museu é pela visão exterior do rio e da luz de Lisboa.

Serviço Educativo

O MAAT oferece cursos e workshops que exploram disciplinas e temas artísticos. Por outro lado, as oficinas interdisciplinares, para crianças e jovens, exploram vários materiais e técnicas como forma de apropriação e de construção do conhecimento, desenvolvendo a criatividade e estimulando a expressão motora e pessoal. Espaços didáticos e lúdicos são dedicados aos temas das energias e são realizadas visitas guiadas e ateliers que incluem sessões experimentais sobre eletricidade.

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