SATA: “Todos ficaram a ganhar” com a liberalização. A SATA é que nem por isso

O presidente da SATA diz que a companhia açoriana está a dar resposta à entrada das lowcost na região autónoma, mas não adianta qual foi o real impacto.

A liberalização do espaço aéreo dos Açores, que desde março do ano passado permite a entrada de todas as companhias aéreas na região autónoma, “veio estimular o mercado e todos ficaram a ganhar, desde os clientes às companhias aéreas”. Quem o garante é Paulo Menezes, presidente do conselho de administração da SATA, a companhia aérea dos Açores, que, até há ano e meio, quase não tinha concorrência.

“É natural que a liberalização coloque desafios às empresas que, antes, estavam sem concorrência. Mas a SATA está a conseguir dar resposta a estes desafios através de uma estratégia coerente, com base no preço e nas rotas”, sublinhou Paulo Menezes, numa intervenção no 28º Congresso Nacional da Hotelaria e Turismo, que decorre em Ponta Delgada.

Está mesmo? À margem do evento, Paulo Menezes não quis responder à maioria das perguntas dos jornalistas, por questões de concorrência. Questionado sobre a evolução no número de passageiros e do impacto que a entrada das lowcost teve nas contas da companhia aérea açoriana, o presidente da SATA insistiu no número de voos e de lugares disponíveis, que têm aumentado. “De 2015 para 2016, tivemos mais cerca de 50 mil lugares disponíveis“, disse. Isto não significa, contudo, que os lugares tenham sido ocupados.

De facto, o Boletim Estatístico Trimestral da Autoridade Nacional da Aviação Civil, referente ao terceiro trimestre, mostra que o grupo SATA (que inclui a SATA e a Air Azores, a marca que opera as rotas internacionais) se mantém como a principal companhia aérea do aeroporto de Ponta Delgada, quer em número de voos, quer em passageiros. Mas há uma diferença grande entre estes dois indicadores.

Neste período, o grupo açoriano registou uma quota de mercado de 80% no que toca a movimentos, mas uma quota bem mais baixa de passageiros: 66%. Ou seja, os aviões não iam cheios, apesar de Paulo Menezes garantir que a taxa de ocupação dos voos “é boa”, sem revelar o valor e dizendo apenas que está “bem acima da metade”.

São sobretudo os voos internos os mais prejudicados, até porque a SATA é a única a ligar os Açores aos Estados Unidos, um mercado que tem crescido no arquipélago. Nos voos internos, a quota de movimentos é 54%, mas a quota de passageiros é 22%. Já nos voos internacionais, a quota de movimentos é de 26% e a de passageiros é de 44%.

No trimestre imediatamente anterior à liberalização do espaço aéreo dos Açores (de janeiro a março de 2015), o grupo SATA detinha uma quota de mercado de 93% nos movimentos e de 92% nos passageiros.

Hoje, logo a seguir à SATA vem a Ryanair, que tem uma quota de 16% do total de passageiros. A Ryanair vai ainda entrar na Terceira, já em dezembro, o que deverá colocar ainda mais pressão sobre a SATA.

Questionado, Paulo Menezes não quis dizer quantos passageiros é que as lowcost — e mesmo a TAP — retiraram a SATA, sublinhando apenas que a companhia açoriana terá, no próximo ano, “mais voos, mais lugares e, certamente, muitos mais passageiros”.

O responsável reconhece, ainda assim, o momento desafiante. “Estamos numa encruzilhada. Há muitas companhias aéreas a quererem vir para os Açores“.

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