Jerónimo de Sousa: “O PS tem de se libertar dos constrangimentos de Bruxelas”

  • Leonor Rodrigues
  • 18 Novembro 2016

O secretário-geral do PCP afirma que os Socialistas têm de tomar decisões e resolver problemas. Caso contrário, o Governo pode não conseguir cumprir o mandato de quatro anos.

Jerónimo de Sousa alerta o Governo que tem de se libertar dos “constrangimentos” impostos pela Comissão Europeia. Em entrevista ao jornal i, o secretário-geral do PCP afirma ainda que um futuro acordo com o Partido Socialista “é muito difícil”.

“O PS terá de tomar opções”, refere Jerónimo de Sousa em relação às exigências de Bruxelas quanto à política de devolução dos rendimentos, afirmando que as dificuldades “só podem ser ultrapassadas” enfrentando os “constrangimentos”. Caso contrário, Portugal pode vir a ter “um problema”.

“Toda a gente concorda que é preciso mais crescimento económico e que é preciso criar mais emprego e mais riqueza, para distribuir melhor. Mas com que meios? Com que condicionamentos? Essa contradição acentua-se. Vai agravar-se, do nosso ponto de vista. Se chegar a ser uma contradição insanável, naturalmente que temos aqui um problema”, refere o i (acesso pago).

O secretário-geral comunista diz ainda que “é muito difícil” voltar a chegar a acordo com o PS e que o atual se deveu a “uma conjuntura concreta” para fazer face à austeridade que marcou os últimos anos em Portugal. Quanto à possibilidade de o Governo liderado por António Costa durar os quatro anos do mandato, Jerónimo de Sousa diz que “tem condições para durar desde que resolva problemas e dê respostas. […] Os portugueses querem soluções”.

Duas semanas antes do XX congresso do partido, em Almada, Jerónimo de Sousa critica ainda o Bloco de Esquerda, que considera procurar “desvalorizar o trabalho do PCP”, assim como procura “protagonismo”. No entanto, afirma que isso “não determina o nosso relacionamento com o Bloco de Esquerda”, mas deixa um aviso: “Nunca meçam a influência eleitoral do PCP pelo número de votos. Este Partido Comunista Português tem uma influência social muito superior à sua influência eleitoral”.

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