Jerónimo de Sousa quer alargamento ao setor privado do combate à precariedade

  • Lusa
  • 12 Novembro 2016

A disponibilidade do Governo para integrar precários na função pública "é um bom começo, mas defendeu ser necessário alargar o combate à precariedade ao setor privado", disse Jerónimo de Sousa.

O secretário-geral do PCP afirmou hoje, no Seixal, que a disponibilidade do Governo para integrar de trabalhadores precários da administração pública “é um bom começo, mas defendeu ser necessário alargar o combate à precariedade ao setor privado.

“É um começo e significa um bom caminho, mas a exigir uma luta permanente e prolongada. Seria iludir esses trabalhadores vir hoje para a comunicação social dizer que já está, que já conseguimos abrir as portas. Sim, algumas portas foram abertas, na administração pública. Falta ainda no setor privado”, disse Jerónimo de Sousa.

O líder comunista, que falava a cerca de duas centenas de ativistas e dirigentes sindicais da Fequimetal – Federação Intersindical da Metalurgia, Metalomecânica, Minas, Química, Farmacêutica, Petróleo e Gás, num almoço que decorreu na Quinta da Atalaia, no Seixal, mostrou-se satisfeito com as notícias hoje divulgadas sobre a disponibilidade do Governo para promover a integração de cerca de 100 mil trabalhadores precários na administração pública, mas advertiu que o combate contra a precariedade vai exigir uma “luta permanente”.

"É um começo e significa um bom caminho, mas a exigir uma luta permanente e prolongada. Seria iludir esses trabalhadores vir hoje para a comunicação social dizer que já está, que já conseguimos abrir as portas. Sim, algumas portas foram abertas, na administração pública. Falta ainda no setor privado.”

Jerónimo de Sousa

Secretário geral do PCP

“Não tenhamos ilusões. Mais do que levantar bandeiras de triunfo, o que devemos dizer é que estamos, de facto, nesse bom caminho, mas dizer aos trabalhadores com vínculo precário: contem com a continuação da nossa luta, porque contamos também com o vosso empenhamento, a vossa disponibilidade, a vossa luta, para acabar com essa praga dos vínculos precários”, disse.

Os vínculos precários “visam atingir os salários e os horários de trabalho”, acrescentou Jerónimo de Sousa, lembrado que “já Marx referia estes dois elementos como aferidores do grau de exploração dos trabalhadores”, acrescentou o dirigente comunista.

No encontro com sindicalistas, Jerónimo de Sousa reafirmou a ideia de que o PCP deu “um contributo decisivo” para a atual solução governativa do país e disse que um novo Governo PSD/CDS-PP, após as legislativas de outubro do ano passado, teria inviabilizado a recuperação de direitos dos trabalhadores que se tem verificado nos últimos meses.

Jerónimo de Sousa afirmou, ainda, que não vê necessidade de renovar o acordo celebrado com o PS, deixando claro que o PCP vai respeitar o compromisso que assumiu, mas que continuará a votar a favor de tudo o que seja em prol dos interesses dos trabalhadores e a votar contra tudo aquilo que os prejudique.

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