Triplicam ataques informáticos a empresas

Um quinto das empresas em todo o mundo já sofreu um ataque informático de sequestro de dados. Há um ataque a cada 40 segundos, garantem os especialistas da Kaspersky.

O sequestro de ficheiros informáticos a empresas triplicou nos primeiros nove meses do ano. A burla, conhecida por ransomware, tem vindo a fazer cada vez mais vítimas: só no terceiro trimestre do ano, a cada 40 segundos houve um ataque informático deste género a uma empresa. Os dados foram avançados pela empresa de segurança informática Kaspersky.

O ransomware é um vírus digital que encripta os ficheiros e dados pessoais aos utilizadores. Para essa informação ser desbloqueada, os burlões exigem o pagamento de um resgate — por norma, uma soma avultada. A Kaspersky estima que “uma em cada cinco empresas no mundo” tenha sofrido um ataque de ransomware. O problema é ainda maior entre particulares, registando-se um ataque a um utilizador a cada dez segundos, garante a mesma firma.

Os especialistas têm vindo a apelar a que não se ceda à chantagem, uma vez que isso incentiva a que a burla continue. Aliás, muitas vezes, os utilizadores ou empresas não recuperam os dados mesmo depois do pagamento, algo que acontece a um quinto das pequenas firmas que sofreram ataques de ransomware e que pagaram o resgate, refere o relatório.

Um ataque de “ransomware” pode fingir ser uma entidade oficial para enganar mais facilmente as vítimasWikimedia Commons

O setor mais propício? A Educação

“Não existe um setor de baixo risco” de exposição a ransomware, explica a Kaspersky. Mas isso não impede que se possa concluir o que sofre mais e o que sofre menos deste mal. De um lado, a Educação, com a maior das taxas de incidência, de cerca de 23%. Do outro, o Comércio e Lazer, com 16% de taxa de incidência deste tipo de ataque.

Dados que fazem sentido, tendo em conta que basta um clique numa ligação insuspeita, ou a instalação de um programa corrompido para que o ransomware se instale no computador da vítima ou, pior, se estenda à rede e servidores de uma empresa. Neste campo, a empresa de segurança alerta que “a má qualidade começou a aparecer”. Estamos a falar de erros ou gralhas nas notas de resgate, que aumentam as hipóteses de nunca se conseguir recuperar os dados bloqueados.

A notícia parece indicar que ainda há muito trabalho por fazer na prevenção deste tipo de problema. A Kaspersky, em parceria com a Europol, criou o projeto No More Ransomware, ao qual se juntou mesmo a Polícia Judiciária portuguesa. O grupo tem facultado gratuitamente as chaves de encriptação para alguns dos programas maliciosos, sendo que o principal conselho dado a particulares e empresas é o de que devem manter uma cópia de segurança dos dados, que deve ser guardada num sistema independente.

Por fim, de acordo com a mesma nota, até os simuladores de ransomware desenvolvidos como ferramenta de teste para os administradores foi “rapidamente explorado por hackers“, que os transformaram em vírus informáticos reais. No total, “62 novas famílias” deste género de programa, operacionais durante o ano.

O jornalismo continua por aqui. Contribua

Sem informação não há economia. É o acesso às notícias que permite a decisão informada dos agentes económicos, das empresas, das famílias, dos particulares. E isso só pode ser garantido com uma comunicação social independente e que escrutina as decisões dos poderes. De todos os poderes, o político, o económico, o social, o Governo, a administração pública, os reguladores, as empresas, e os poderes que se escondem e têm também muita influência no que se decide.

O país vai entrar outra vez num confinamento geral que pode significar menos informação, mais opacidade, menos transparência, tudo debaixo do argumento do estado de emergência e da pandemia. Mas ao mesmo tempo é o momento em que os decisores precisam de fazer escolhas num quadro de incerteza.

Aqui, no ECO, vamos continuar 'desconfinados'. Com todos os cuidados, claro, mas a cumprir a nossa função, e missão. A informar os empresários e gestores, os micro-empresários, os gerentes e trabalhadores independentes, os trabalhadores do setor privado e os funcionários públicos, os estudantes e empreendedores. A informar todos os que são nossos leitores e os que ainda não são. Mas vão ser.

Em breve, o ECO vai avançar com uma campanha de subscrições Premium, para aceder a todas as notícias, opinião, entrevistas, reportagens, especiais e as newsletters disponíveis apenas para assinantes. Queremos contar consigo como assinante, é também um apoio ao jornalismo económico independente.

Queremos viver do investimento dos nossos leitores, não de subsídios do Estado. Enquanto não tem a possibilidade de assinar o ECO, faça a sua contribuição.

De que forma pode contribuir? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

Obrigado,

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Triplicam ataques informáticos a empresas

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião