Corte da OPEP vai criar défice já no arranque do ano

A Agência Internacional de Energia diz que o excesso de petróleo vai rapidamente dar lugar a um défice na primeira metade do próximo ano. A culpa é do corte acordado pela OPEP.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) fechou o acordo para reduzir a oferta. Ao cartel juntaram-se outros países fora da OPEP numa movimentação que, diz a Agência Internacional de Energia (AIE), vai fazer com que rapidamente o mercado petrolífero passe de uma situação de excesso para défice. Esse défice vai sentir-se já na primeira metade do próximo ano.

“Antes do acordo, a nossa estimativa para a procura e a oferta sugeria que o mercado iria ficar equilibrado no final de 2017”, diz o relatório citado pela Bloomberg. “Caso a OPEP implemente e mantenha a sua nova meta de produção” e os restantes produtores fora da OPEP cumpram a promessa de cortar a oferta, “o mercado deverá entrar em défice já na primeira metade de 2017”.

Este cenário poderá puxar ainda mais pelos preços do petróleo que têm vindo a disparar perante a redução anunciada da oferta. As cotações do barril da matéria-prima tocaram máximos de ano e meio, com o Brent, negociado em Londres, a superar os 56 dólares. O barril de referência para a Europa está a subir 0,57% para 55,98 dólares, já o WTI, em Nova Iorque, soma 0,34% para 53,01 dólares.

Os cortes de produção acordados vão encolher em 600 mil barris por dia os inventários da matéria-prima a nível global durante os próximos seis meses, de acordo com os cálculos da AIE. Esta previsão contrasta com a anterior em que a agência apontava para que a quebra das reservas só final de 2017.

Esta quebra nos “stocks” só acontecerá se a OPEP reduza a oferta e mantenha a meta de produção de cerca de 32,7 milhões de barril por dia, nota a AIE. Os últimos dados mostram que a OPEP produziu 34,2 milhões de barris por dia em novembro, o que se traduz numa oferta recorde da matéria-prima antes de ter sido alcançado o acordo para o corte na oferta.

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