Pele em 3D? Sim, em Portugal e com apoio da UE

Um dos projetos selecionados para um bolsa do programa Horizonte 2020 pretende imprimir pele humana em 3D para aplicar na área dos cuidados de saúde. Este é um dos seis projetos financiados pela UE.

Imagina o que seria cuidar de doenças de pele imprimindo tecidos humanos vascularizados em 3D? É essa tecnologia que Alexandra Marques, investigadora da Universidade do Minho (UM), pretende desenvolver no prazo de cinco anos com um financiamento de dois milhões de euros do Conselho Europeu de Investigação, um concurso que ganhou a par de mais cinco cientistas portuguesas, num total de 314 cientistas europeus, ao abrigo do programa Horizonte 2020.

É acima de tudo uma oportunidade para propor à comunidade cientifica um método inovador de criar modelos 3D de tecidos humanos com melhor funcionalidade.

Alexandra Marques

Investigadora da Universidade do Minho

Chama-se Bolsa de Consolidação de Carreira e foi ganho por seis mulheres da ciência portuguesa, duas fora do país e quatro que trabalham em Portugal. É o caso de Alexandra Marques, do grupo de investigação 3B’s, no Minho. A investigadora portuguesa está a desenvolver um projeto de investigação para criar pele tridimensional através da engenharia de tecidos.

Mas este é um processo complexo. Tanto que envolve várias áreas científicas como a biologia celular, a ciência dos materiais e a engenharia biomédica. Ao ECO, Alexandra Marques revela que esta “é acima de tudo uma oportunidade para propor à comunidade científica um método inovador de criar modelos 3D de tecidos humanos com melhor funcionalidade”.

A cientista diz ser um “orgulho enorme fazer parte do leque de prestigiados investigadores”, agradece à UM pelas “condições únicas de trabalho” e admite que a atribuição da bolsa valida o trabalho já desenvolvido. Um percurso que vai continuar com mais financiamento e mais tempo, permitindo assim “o desenvolvimento de novas terapêuticas” para, entre outras doenças, o pênfigo vulgar, epidermólise bolhosa distrófica (envolvem bolhas na pele) e carcinoma de células escamosas cutâneo, um tipo de cancro.

O objetivo é “propor novos substitutos com melhor funcionalidade e que permitam ultrapassar as limitações dos produtos clinicamente disponíveis”. Tudo isto dentro da engenharia de tecidos de pele, uma área que — aplicada à saúde — lida com doenças incuráveis e com elevada mortalidade. Mais do uma cura, procura-se chegar a modelos de pele para estudar as diferentes doenças de pele, distinguindo os tecidos saudáveis dos que estão danificados.

Este é dos seis projetos que, por mãos de cientistas portuguesas, conseguiram o apoio do Conselho Europeu de Investigação nas Bolsas de Consolidação de Carreira que visam financiar projetos que estão a estabelecer a sua própria linha de investigação. O objetivo é aumentar a competitividade da investigação europeia em termos internacionais, potenciando a visibilidade dos projetos de investigadores europeus.

“Os vencedores destas bolsas receberam este financiamento competitivo porque são investigadores de excelência com ideias verdadeiramente inovadoras. Investir no seu sucesso trará benefícios a todos”, afirmou o comissário europeu Carlos Moedas em reação à divulgação dos resultados das bolsas. O português referiu que foi com “especial agrado” que verificou “a existência de seis projetos portugueses, todos liderados por mulheres, na lista das bolsas de consolidação deste Conselho”.

“Ao abrigo do programa Horizonte 2020, o CEI financia o trabalho de algumas das mentes mais brilhantes em termos de investigação de fronteira; pessoas cujas invenções podem dar origem a novas indústrias e novos mercados e que contribuem para o bem-estar do planeta”, comentou Moedas, valorizando os projetos portugueses que, no total, significam um investimento de mais de 11,5 milhões de euros em cientistas portugueses, num total de 605 milhões de euros no âmbito do programa de investigação e inovação da União Europeia, o Horizonte 2020.

Eis os projetos selecionados:

  • Alexandra Marques, da Universidade do Minho (projeto ECM_INK)
  • Renata Basto, do Institut Curie em França (projeto CHOMONUMBER)
  • Ana Rita Cruz Duarte, da Universidade do Minho (projeto Des.solve)
  • Sara Magalhães, da Fundação da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (projeto COMPCON)
  • Susana Chuva de Sousa Lopes, da Academisch Ziekenhuis Leiden nos Países Baixos (projeto OVO-GROWTH)
  • Sílvia Maeso, do Centro de Estudos Sociais (projeto POLITICS)

Na divulgação dos resultados, a representação da Comissão Europeia em Portugal revelou que “desde o lançamento do CEI em 2007, já foram financiados 69 projetos de instituições portuguesas num valor de 107 milhões de euros”. As estatísticas das bolsas deste ano — que podem ir para investigadores de qualquer nacionalidade baseados (ou que pretender estar) na Europa — mostram que 28% das bolsas atribuídas foram para mulheres.

Editado por Mónica Silvares

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