Combustíveis mais caros custam muitos quilómetros

Os combustíveis estão cada vez mais caros. Têm subido... à boleia do petróleo mais caro, mas também da fiscalidade. A fatura aumenta, os quilómetros diminuem. Até onde consegue ir agora?

Atestar o depósito do automóvel está a ficar mais caro. A escalada dos preços do petróleo à boleia de um corte concertado da produção, mas também o agravamento da fiscalidade sobre os produtos petrolíferos, fez disparar os valores de venda da gasolina e do gasóleo nos postos de abastecimento nacionais. Para gastar o mesmo que gastava no início do ano, terá de andar menos quilómetros com o carro. A distância percorrida chega a encolher em mais de uma centena de quilómetros.

Semana após semana, os preços dos combustíveis têm ficado mais caros. Nos últimos dias essa tendência tornou-se mais evidente: é que o petróleo disparou com a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), e outros produtores fora do cartel, a alcançarem um acordo histórico para cortar a oferta e puxar pelas cotações. Com o barril acima dos 50 dólares, a fatura nos postos agravou-se. A gasolina está a 1,42 euros e o gasóleo em 1,189 euros, em média.

Estes valores são bastante mais elevados do que no final do ano passado, mas nem tudo é resultado dos mercados: o Estado fez disparar o valor do Imposto Sobre os produtos Petrolíferos, agravando os custos para os consumidores. Tudo considerado, a gasolina está 8,5% mais cara, ou seja, 11,1 cêntimos a mais por litro, mas o destaque vai para o gasóleo: dispara 15,2%. O combustível mais utilizado pelos portugueses custa agora mais 15,7 cêntimos por litro.

Preços dos combustíveis a subir

gasolina_gasoleo-01
Fonte: DGEG

São alguns cêntimos que se transformam em alguns euros na altura de atestar o depósito. Se no final do ano passado eram precisos 46,44 euros para atestar um depósito de 45 litros de um Renault Clio (o automóvel mais vendido em Portugal), agora esse mesmo depósito custa 53,50 euros. Mas se em vez de gastar mais, gastasse o mesmo com o combustível? Andava menos quilómetros. Mas quantos? O ECO fez as contas. Considerando um consumo médio de 4,2 litros do Clio 1.5 dci de 90 cv (mais um litro que o valor homologado), o carro para 141,1 quilómetros antes do destino.

Num percurso entre Lisboa e Barcelona, em Espanha, de 1.247 quilómetros, ao preço no final de 2015, com o depósito cheio chegaria bem perto: a Lérida, num total de 1.071 quilómetros. Agora, gastando o mesmo valor, já só conseguiria colocar 39,1 litros de diesel. Resultado? Sem uma nova paragem no posto de abastecimento, o carro vai parar mais de uma centena de quilómetros antes do destino. Dá, ainda assim, para ir visitar a cidade de Saragoça.

 

 

No caso do gasóleo, a viagem é bastante mais curta. Mas também encolheu para quem tem automóvel a gasolina. Dificilmente chegaria a Barcelona mesmo com os preços registados no final do ano passado, até porque o motor a gasolina gasta mais (consumo médio de 5,7 litros, mais um que o homologado). Se antes conseguiria percorrer 789,5 quilómetros, o suficiente para chegar a Somaén, os 41,5 litros que os mesmos 58,90 euros compram atualmente já só dão para chegar a Almandres (a 727 quilómetros de Lisboa). São menos 61,8 quilómetros que deixam o condutor mais perto de Madrid do que de Barcelona.

 

O jornalismo continua por aqui. Contribua

Sem informação não há economia. É o acesso às notícias que permite a decisão informada dos agentes económicos, das empresas, das famílias, dos particulares. E isso só pode ser garantido com uma comunicação social independente e que escrutina as decisões dos poderes. De todos os poderes, o político, o económico, o social, o Governo, a administração pública, os reguladores, as empresas, e os poderes que se escondem e têm também muita influência no que se decide.

O país vai entrar outra vez num confinamento geral que pode significar menos informação, mais opacidade, menos transparência, tudo debaixo do argumento do estado de emergência e da pandemia. Mas ao mesmo tempo é o momento em que os decisores precisam de fazer escolhas num quadro de incerteza.

Aqui, no ECO, vamos continuar 'desconfinados'. Com todos os cuidados, claro, mas a cumprir a nossa função, e missão. A informar os empresários e gestores, os micro-empresários, os gerentes e trabalhadores independentes, os trabalhadores do setor privado e os funcionários públicos, os estudantes e empreendedores. A informar todos os que são nossos leitores e os que ainda não são. Mas vão ser.

Em breve, o ECO vai avançar com uma campanha de subscrições Premium, para aceder a todas as notícias, opinião, entrevistas, reportagens, especiais e as newsletters disponíveis apenas para assinantes. Queremos contar consigo como assinante, é também um apoio ao jornalismo económico independente.

Queremos viver do investimento dos nossos leitores, não de subsídios do Estado. Enquanto não tem a possibilidade de assinar o ECO, faça a sua contribuição.

De que forma pode contribuir? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

Obrigado,

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Combustíveis mais caros custam muitos quilómetros

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião