Jardim: Passos Coelho transformou o país num “protetorado”

  • ECO
  • 18 Dezembro 2016

Em entrevista ao Público, Alberto João Jardim deixou duras críticas a Pedro Passos Coelho, que "arrastou o PSD para a direita". O governo de António Costa "foi uma lição", defendeu.

O ex-presidente do governo regional da Madeira, Alberto João Jardim, deu uma entrevista ao jornal Público, onde considerou que Pedro Passos Coelho “arrastou o PSD para a direita”. E disse que o ex-primeiro-ministro continua “no finca-pé” de que “as políticas dele eram sociais-democratas, quando eram na verdade tecnocratas e conservadoras, impostas pelas instituições estrangeiras.”

Fora do poder há mais de um ano, Jardim acusou Passos Coelho de ter transformado Portugal num “protetorado”, algo que o primeiro-ministro António Costa não conseguiu reverter. “Quando o nosso dinheiro é depositado em bancos que depois vão pegar nesse mesmo dinheiro e vão aplicar noutros países, o nosso aforro não serviu para o desenvolvimento nacional”, sublinhou.

Jardim reconheceu haver “uma questão pessoal” entre ele e Passos Coelho, que “foi incorreto comigo”, indicou o ex-líder da Madeira. “Como líder da oposição, deu uma imagem ineficiente e sobretudo infeliz nas opções de combate, de confronto político com o Governo”, frisou, destacando, porém, que as questões pessoais não contam “para efeitos políticos”. Em contrapartida, o CDS “teve o cuidado de não chamar a si as dores do governo anterior”, fazendo “claramente” melhor a transição.

Como líder da oposição, [Passos Coelho] deu uma imagem ineficiente e sobretudo infeliz nas opções de combate, de confronto político com o Governo.

Alberto João Jardim

Ex-presidente do governo regional da Madeira

Sobre o governo minoritário de esquerda, Alberto João Jardim reconheceu que “houve uma descrispação da sociedade portuguesa” e que, apesar de se suportar nos votos do Bloco e do PCP, “é claramente um governo” do PS. E sobre isso, volta a deixar recados ao ainda líder da oposição, Passos Coelho: a chamada ‘geringonça’ — termo que, diz, “é um pouco infeliz” — “foi uma lição para um certo tipo de arrogância que os resultados eleitorais pareceram” dar à coligação PSD/CDS.

Na entrevista ao Público, Jardim disse ainda que Passos Coelho “cometeu dois erros”: “primeiro, ter radicalizado a sociedade portuguesa e, depois, não ter falado com o PS antes”, defendeu. “De certo modo, esta solução de governo é um castigo para o comportamento do Dr. Passos Coelho”, terminou.

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