China abre a porta a mais investimento estrangeiro

O anúncio é feito pelo Ministério do Comércio e vai aplicar-se ao ano de 2017. Abertura de setores onde as empresas estrangeiras têm fortes investimentos também vai acelerar.

O Ministério chinês do Comércio anunciou esta segunda-feira que a China vai reduzir, rapidamente, as restrições ao acesso do investidores estrangeiros em 2017, ou seja, vai abrir a porta a mais investimento estrangeiro.

A China também vai acelerar a abertura de setores onde as empresas estrangeiras têm fortes investimentos e os riscos estão controlados, revela o Ministério no seu microblog, uma espécie de Twiter chinês, revela a Reuters.

Este anúncio surge no mesmo dia em que foram revelados os dados de investimento direto da China no exterior. O investimento em setores não financeiros deverá atingir os 1,12 biliões de yuans (154,12 mil milhões de euros) em 2016. Já o investimento direto estrangeiro na China atingirá os 785 mil milhões de yuans (108,02 mil milhões de euros), anunciou Gao Hucheng, o ministro chinês do Comércio.

O Governo “vai promover o investimento chinês no exterior de forma saudável e ordeira, assim como a cooperação”, em 2017, acrescentou o responsável em declarações numa conferência divulgada no site do ministério e citada pela Reuters.

O investimento direto da China no exterior em novembro acelerou 76,5% em termos homólogos e subiu 55,3% nos 11 meses do ano, revelam os dados do Ministério chinês do Comércio, o que mostra o ímpeto das empresas locais a investir no estrangeiro apesar do abrandamento da economia chinesa e de uma desvalorização do yuan.

O maior investimento de sempre da China em Portugal é da China Three Gorges, na privatização da EDP, a maior já realizada no país, quando o país foi obrigado a vender ativos no âmbito do resgate financeiro de 2011. Em fevereiro de 2012, foi a vez da venda da REN, com os chineses da State Grid a ficarem com 25% do capital, pagando 387 milhões de euros pela posição na empresa gestora das redes energéticas nacionais.

Significativa foi também a compra da seguradora Fidelidade e da Espírito Santo Saúde pela Fosun (o maior investimento chinês em Portugal, em 2014). Entretanto, a Fosun já comprou 16,7% do capital do BCP e admite a possibilidade de alargar esta posição aos 30%. Ainda no setor bancário, no ano passado, o Haitong Bank concluiu a compra do banco de investimento português BESI.

Em outubro passado, o grupo de Macau KNJ Investment Limited, fundado em 2012, assinou um memorando de entendimento com a Global Media, que prevê que a empresa macaense passe a controlar 30% da dona do Diário de Notícias e da TSF, entre outros títulos, através de uma injeção de capital de 17,5 milhões de euros. Com a concretização da operação, prevista para 2017, a macaense KNJ tornar-se-á na maior acionista da dona do DN.

Entre outros investimentos chineses em Portugal, destaca-se a inauguração, em dezembro deste ano, do centro de inovação da Huawei em Lisboa. Em fevereiro de 2012 a empresa de telecomunicações já tinha investido dez milhões de euros num centro tecnológico, em Lisboa, que se juntou aos 40 milhões de euros que a multinacional chinesa tinha investido no mercado português.

Além disso, no início de 2012 o Banco Internacional e Comercial da China (ICBC) abriu o seu primeiro escritório em Portugal, mais precisamente em Lisboa. Um ano depois, foi a vez do Bank of China escolher a capital portuguesa para abrir um escritório e um balcão de atendimento.

Também o setor imobiliário é uma aposta da China, com os chineses a liderarem, por nacionalidades, os vistos “gold” em Portugal. Desde que o programa dos vistos dourados arrancou, a 8 de outubro de 2012, até final de novembro, 2.973 investidores chineses tinham obtido Autorização de Residência para atividade de Investimento (ARI), segundo dados do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

China abre a porta a mais investimento estrangeiro

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião