Há oito anos que a banca angolana não recebia tão poucas divisas

  • Lusa
  • 2 Janeiro 2017

Há vários meses que se agravam relatos de indisponibilidade de levantamento de divisas aos balcões dos bancos, mesmo em contas bancárias em moeda estrangeira.

A injeção de divisas pelo Banco Nacional de Angola (BNA) na banca atingiu os 8,5 mil milhões de euros em 11 meses de 2016, equivalente a mínimos de oito anos, segundo dados compilados hoje pela Lusa.

Tendo em conta relatórios mensais do BNA sobre a venda de divisas aos bancos comerciais, o banco central disponibilizou às instituições financeiras, em novembro, 1.110 milhões de dólares (1.058 milhões de euros), acrescidos de 194 milhões de dólares (185 milhões de euros) vendidos diretamente pelos clientes, o que neste caso representou um aumento de três por cento face a outubro.

No total, entre janeiro e novembro, os bancos angolanos compraram ao BNA o equivalente a 9.037 milhões de dólares (8.500 milhões de euros), mas há vários meses que se agravam relatos de indisponibilidade de levantamento de divisas aos balcões dos bancos, mesmo em contas bancárias em moeda estrangeira.

Este valor contrasta com os cerca de 16.318 milhões de dólares (15.560 milhões de euros) do mesmo período de 2015 – já em plena crise da quebra das receitas com a venda de petróleo -, e com os mais de 17.391 milhões de dólares (16.854 milhões de euros) também em 11 meses, mas de 2014.

O registo deste ano só fica acima de 2008, ano ainda com os efeitos de outra crise petrolífera, quando em onze meses o BNA vendeu aos bancos 7.283 milhões de dólares (6.944 milhões de euros) em divisas.

Angola enfrenta uma crise financeira e económica com a forte quebra (50 por cento) das receitas com a exportação de petróleo devido à redução da cotação internacional do barril de crude, tendo em curso várias medidas de austeridade. Com a baixa da cotação de crude – que garante mais de 98% das exportações – no mercado internacional, o país viu o acesso a divisas fortemente limitado.

A falta de divisas dificulta por exemplo a transferência de salários dos trabalhadores expatriados, as necessidades dos cidadãos que precisam de fazer transferências para o pagamento de serviços médicos ou de educação no exterior do país ou que viajam para o estrangeiro.

Só de trabalhadores expatriados portugueses estavam retidos, até julho, segundo o Governo de Portugal, cerca de 160 milhões de euros de vários meses de salários por transferir para contas nacionais (em divisas).

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