Tensão na dívida nacional com investidores à espera de novo leilão

Juros portugueses disparam para máximos de quase um ano com o mercado a antecipar um leilão de dívida. Inflação na Alemanha acima do esperado também contribui para agravamento do risco.

Tensão no mercado secundário de dívida nacional. Tanto os juros como o risco associado a Portugal estão a acelerar esta terça-feira para máximos de quase um ano, com os operadores de mercado a antecipar um leilão de obrigações nos próximos dias. Além disso, a inflação acima do esperado na Alemanha contribui para uma tendência de agravamento das taxas da dívida de vários governos da Zona Euro.

A taxa de juro das obrigações a 10 anos dispara mais de 20 pontos base para 3,906%, o nível mais elevado desde fevereiro do ano passado. Enquanto isso, o risco de Portugal — medido através do diferencial entre a taxa portuguesa e a taxa alemã — negociava em máximos do mesmo período. O diferencial face às bunds da Alemanha está em 364,9 pontos base, um máximo de fevereiro.

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Um operador do mercado adiantou à Bloomberg que a subida do risco de Portugal tem sobretudo a ver com a expectativa de que o IGCP vá anunciar um leilão de dívida nos próximos dias, aumentando a oferta de obrigações portuguesas no mercado secundário. Uma crença que é reforçada com o historial recente do Tesouro português, que realizou a leilões de longo prazo no arranque dos últimos anos, como por exemplo: levantou quatro mil milhões de euros em obrigações a 10 anos a 14 de janeiro de 2016; 3,5 mil milhões em obrigações a 10 anos e dois mil milhões em obrigações a 30 anos a 13 de janeiro de 2015; e 3,25 mil milhões em obrigações a cinco anos a nove de janeiro de 2014.

Também os juros associados às obrigações dos outros governos do euro negoceiam em forte alta. A taxa da dívida a 10 anos alemã avança 7,3 pontos base para 0,513%. Em Espanha, a taxa subia oito pontos para 0,142%.

A justificar este movimento está o aumento do índice de preços no consumidor na Alemanha. A taxa de inflação fixou-se nos 1,7% em dezembro, muito perto do objetivo do Banco Central Europeu (BCE) e bastante acima da taxa de 1,3% esperada pelos analistas sondados pela Bloomberg. Em novembro, a inflação situou-se nos 0,7%.

Com a inflação na maior economia europeia a acelerar, os investidores começam a antecipar uma maior pressão da Alemanha para que o BCE comece a reduzir os estímulos à economia, nomeadamente através de um travão no programa de compras de ativos que tem permitido uma queda acentuada nas taxas dos soberanos da Zona Euro.

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