Emissões de carros a diesel tramam Renault

  • Ana Luísa Alves
  • 13 Janeiro 2017

Depois de França ter aberto um inquérito à Volkswagen por emissões poluentes dos carros a diesel, desta vez é a Renault que está na mira das autoridades por ser uma "fonte de poluição".

Depois da Volkswagen foi a vez da Fiat. Agora é a Renault que está a ser alvo de acusação de falsear os dados das emissões de gases poluentes para a atmosfera. As autoridades francesas, que já tinham aberto um processo à VW, avançaram com um inquérito preliminar que está a pressionar os títulos da fabricante de automóveis.

A investigação francesa à Renault vai acontecer na mesma altura em que também as autoridades norte-americanas investigam a marca Fiat pela emissão de gases poluentes. Quanto à Renault, que não vende veículos nos EUA, ao contrário da Fiat, é acusada de ter carros que são verdadeiras fontes de poluição, disse a porta-voz das autoridades francesas à Bloomberg.

A Renault diz, em comunicado, que “o grupo Renault teve conhecimento das investigações judiciais” que estão a ser levadas a cabo, apesar de não ter obtido qualquer confirmação oficial. Este inquérito preliminar tem como fundamento “práticas enganosas sobre a qualidade das inspeções realizadas, tendo isto levado a emissão de gases perigosos para a saúde de todos”.

Para tentar contrapor as acusações feitas, a marca francesa acrescenta, no mesmo comunicado obtido pelo ECO, que as veículos da marca “vão ao encontro das regulações francesas”. E, mais importante, que “os veículos da Renault não estão equipados com software que permita falsear os resultados das emissões de gases poluentes” para a atmosfera.

A fabricante gaulesa salienta que em março de 2016, a marca se submeteu a uma comissão técnica independente que confirmou que os dados das emissões apresentados pela marca são “transparentes, satisfatórios e credíveis”, contrariamente à acusação que está a ser feita pelas autoridades do país.

Ações não resistem

A indústria automóvel tem estado sob escrutínio das autoridades desde que os reguladores norte-americanos descobriram, em setembro de 2015, que a Volkswagen tinha manipulado os sistemas anti-poluição dos seus automóveis que atuavam durante a condução para apresentarem valores de emissões inferiores aos reais. Essas suspeitas estão a chegar a mais fabricantes.

“Estamos em linha com aquilo que aconteceu com a Volkswagen em 2015, à Renault este mês, e à Fiat ontem: e estamos preocupados porque [estas investigações] podem significar custos extra para as marcas que poderão ter de pagar multa avultadas [além da litigância com os clientes que daí poderá resultar]“, disse o analista do banco francês Natixis George Dieng, à Bloomberg.

Apesar de se defender, a Renault está a ser penalizada em bolsa. As ações da fabricante francesa seguem a cair quase 2% para os 84,61 euros, mas já chegaram a perder mais de 5%. Na última sessão, com a acusação feita pelas autoridades norte-americanas à Fiat, os títulos da empresa italiana afundaram quase 20%.

O jornalismo continua por aqui. Contribua

Sem informação não há economia. É o acesso às notícias que permite a decisão informada dos agentes económicos, das empresas, das famílias, dos particulares. E isso só pode ser garantido com uma comunicação social independente e que escrutina as decisões dos poderes. De todos os poderes, o político, o económico, o social, o Governo, a administração pública, os reguladores, as empresas, e os poderes que se escondem e têm também muita influência no que se decide.

O país vai entrar outra vez num confinamento geral que pode significar menos informação, mais opacidade, menos transparência, tudo debaixo do argumento do estado de emergência e da pandemia. Mas ao mesmo tempo é o momento em que os decisores precisam de fazer escolhas num quadro de incerteza.

Aqui, no ECO, vamos continuar 'desconfinados'. Com todos os cuidados, claro, mas a cumprir a nossa função, e missão. A informar os empresários e gestores, os micro-empresários, os gerentes e trabalhadores independentes, os trabalhadores do setor privado e os funcionários públicos, os estudantes e empreendedores. A informar todos os que são nossos leitores e os que ainda não são. Mas vão ser.

Em breve, o ECO vai avançar com uma campanha de subscrições Premium, para aceder a todas as notícias, opinião, entrevistas, reportagens, especiais e as newsletters disponíveis apenas para assinantes. Queremos contar consigo como assinante, é também um apoio ao jornalismo económico independente.

Queremos viver do investimento dos nossos leitores, não de subsídios do Estado. Enquanto não tem a possibilidade de assinar o ECO, faça a sua contribuição.

De que forma pode contribuir? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

Obrigado,

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Emissões de carros a diesel tramam Renault

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião