BNP Paribas: “Ter juros a 4% é significativo”

O economista-chefe do banco de investimento francês, considera que a taxa de juro da dívida nacional nesse nível representa um desafio e expõe Portugal a um conjunto de riscos.

Ter a taxa de juro da dívida nacional a um nível de 4%, é “significativo” e representa um desafio para Portugal. O alerta foi dado por William de Vijlder, economista-chefe do BNP Paribas durante um encontro com jornalistas portugueses que decorreu esta sexta-feira, onde falou sobre o contexto económico e os desafios que se impõem em resultado da atual conjuntura nos diferentes mercados financeiros.

Relativamente, à subida dos juros a dez anos da dívida nacional, para valores superiores a 4%, o economista identifica, sobretudo, três implicações. “É significativo porque, obviamente, tem impacto nos custos de financiamento da economia de forma alargada”, destaca antes de mais William de Vijlder. Mas mais do que isso, o economista-chefe do banco de investimento francês salienta como um dos principais constrangimentos, o facto de, devido ao montante de dívida que o BCE detém atualmente ao abrigo do anterior programa de compra de ativos, está limitado naquilo que pode comprar de dívida portuguesa. “A relevância disso, é que mostra aquele que é o impacto do quantitative easing sobre os spreads”.

Uma fonte de preocupação, segundo William de Vijlder, prende-se com a “capacidade de resistência de Portugal a ventos desfavoráveis que venham a soprar a dada altura no futuro”. Neste âmbito, o economista lembra que as estimativas de crescimento do FMI para Portugal em 2019 e 2020, em torno de 1,2%, “não são fantásticas”. Portanto, se temos yields de 4%, torna-se mais difícil e coloca Portugal numa situação mais frágil“, considera William de Vijlder.

A dependência de Portugal da notação financeira de apenas uma agência de rating é um dos elementos que confere pressão adicional. A DBRS é a única das quatro agências de notação financeira que coloca a dívida de Portugal em grau de investimento, condição essencial para que as obrigações portuguesas sejam incluídas no programa de compra de ativos do BCE.

O economista do BNP Paribas explica que um investidor que até possa ter uma visão sobre a economia, se estiver dependente daquilo que a DBRS for dizer tende a exigir um prémio de risco mais elevado. De recordar que o próximo exame ao rating da dívida nacional por parte da agência de notação financeira canadiana está previsto para 21 de abril.

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