Banco CTT entra na “guerra” dos spreads

Menos de um ano depois do lançamento, o Banco CTT chega ao mercado do crédito à habitação. Apresenta hoje a sua oferta numa altura em que os spreads para a compra de casa estão em queda.

Depois das contas, dos depósitos a prazo e dos cartões de crédito (em parceria), o Banco CTT avança com o produto mais aguardado de todos: o crédito para a compra de casa. Uma oferta que Francisco Lacerda quer que seja competitiva numa altura em que todos os bancos estão a baixar spreads. Estão todos com margens mínimas em torno de 1,5%.

Sem desvendar o spread que irá praticar, o banco diz que a sua oferta de crédito à habitação manterá “os valores de simplicidade e confiança que desde o início têm suportado o posicionamento” da instituição. Mas, como disse Francisco Lacerda ao ECO, a ideia será ter também aqui um produto “com custo baixos”.

Perante essa premissa, o Banco CTT deverá apontar para taxas entre 1% e 1,5%. Entre um conjunto de dez bancos a operar em Portugal, todos oferecem spreads a partir de valores inferiores a 2%. Uma realidade bastante distinta face a margens mínimas que chegaram a rondar os 4% durante o pico da crise.

Banca dá spreads mínimos a partir de 1,25%

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Estas margens têm vindo a descer paulatinamente, sendo que têm sido os grandes bancos a fomentar essa redução numa altura em que o setor financeiro procura aumentar a concessão de crédito de forma a puxar pelos resultados. BCP e Santander Totta têm taxas mínimas que só são superadas pelo Bankinter: dá 1,25%.

Até novembro, segundo dados do Banco de Portugal, os bancos concederam um total de 5.164 milhões de euros em novos empréstimos à habitação, o que corresponde a um crescimento de 46% face ao montante concedido em igual período do ano anterior. Ainda assim, o saldo de créditos para a compra de casa continua a encolher tendo em conta que os juros negativos estão a acelerar o ritmo das amortizações.

Produto simples

Uma das promessas de Francisco Lacerda, que juntamente com o CEO do Banco CTT, Luís Pereira Coutinho, vai revelar hoje o novo produto, é de que além de terem custos reduzidos, os produtos comercializados na rede de 200 balcões sejam simples. E no caso do crédito à habitação, isso significará a implementação de critérios simples para aceder ao spread que ficar definido.

Esta lógica está a começar a ser aplicada nos créditos para a casa. O Bankinter passou a considerar apenas o valor dos empréstimos para a atribuição do spread nos créditos para a compra de habitação própria. Simplificou ao máximo os critérios para a definição da margem do financiamento, passando a dar a taxa mais baixa, de 1,25%, a quem peça créditos acima de 150 mil euros.

E para obter este spread, limitou as exigências nas vendas cruzadas à subscrição de seguros de vida, multirriscos e proteção ao crédito, bem como da domiciliação de ordenado no Bankinter. Em muitos bancos, atingir a margem mínima não é fácil — impossível em alguns –, sendo que para lá chegar tende a ser necessário a subscrição de uma série de produtos pouco comuns ou a aplicação de montantes elevados em investimentos específicos.

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