Carris com danos? Tecnologia da Nomad Tech resolve

A Nomad Tech propõe-se criar uma solução tecnológica para tornar os carris e os comboios mais seguros, num consórcio com outras quatro empresas europeias e com 1,5 milhões do Horizonte 2020.

 

São muitos os acidentes ferroviários que têm origem em carris defeituosos. Há uma empresa portuguesa, a Nomad Tech, que se propõe criar uma solução tecnológica para tornar os carris e os comboios mais seguros — o Autoscan.

De uma forma simples: a ideia é automatizar as inspeções dos carris através de um sistema leve e autónomo que faz o trabalho enquanto os comboios não estão a funcionar. Os defeitos são detetados e registados com exatidão — o problema, a dimensão e o local. A solução pretende produzir resultados mais fiáveis para os operadores de caminhos-de-ferro, mas também ser mais eficiente. A informação recolhida é depois descarregada e centralizada para monitorização e agendamento das reparações necessárias. Um interface gráfico permite aos utilizadores controlar o sistema, retirar e rever dados defeituosos.

O projeto está a ser desenvolvido por um consórcio de cinco empresas europeias: a belga I-moss; a espanhola Promaut; a britânica TWI Global, a Universidade de Birmingham e, claro, a portuguesa Nomad Tech. Uma empresa mais pequena que resultou de uma separação da EMEF, mas que é detida a 35% pela Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário e maioritariamente pela inglesa Nomad, explicou, ao ECO, Sílvia Perfeito.

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Os responsáveis do consórcio de cinco empresas europeias que está a desenvolver a tecnologia

Para “desenvolver este produto inovador que possa ser vendido e exportado”, nas palavras de Sílvia Perfeito, o consórcio conta com uma ajuda comunitária e 1,51 milhões de euros do Horizonte 2020, o programa liderado por Carlos Moedas. A luz verde foi recebida no início de março de 2016 e os trabalhos arrancaram a 1 de junho, conta Sílvia Perfeito. Nos 24 meses que o projeto deve durar, o consórcio ainda vai procurar obter mais financiamento, para não ter de suportar a totalidade dos custos, acrescenta, precisando que tem toda a confiança de que no final terminarão “com os objetivos cumpridos”, ou seja um produto exportável.

A Nomad Tech já não é nova nestas andanças. Não só já desenvolveu vários projetos com apoio comunitário, nomeadamente ao abrigo do programa antecessor do Horizonte 2020, como também com as empresas que integram este consórcio. “Foram eles que nos chamaram para este projeto”, conta. “Gostam de trabalhar connosco e vão mantendo o contacto”, explica a responsável pelos projetos da empresa.

Uma das estratégias da Nomad Tech é depois de concluídos os projetos “agarrar nos produtos e trabalhá-los um pouco mais, individualmente, tentando melhorá-los” para depois poderem exportar as soluções encontradas.

Depois da Comissão Europeia ter anunciado esta terça-feira que selecionou mais uma PME portuguesa, a Consulpav, que também faz parte de um consórcio, a quem foi atribuído o montante de 2,1 milhões de euros para facilitar a transição da sua ideia inovadora para o mercado, o ECO foi tentar perceber o que as empresas escolhidas estão a fazer com os apoios recebidos no âmbito do projeto-piloto “Processo Acelerado para a Inovação” (FTI), executado ao abrigo do programa de investigação e inovação da UE, Horizonte 2020.

Neste caso, a Nomad Tech está esperançada de que conseguirá desenvolver este produto para os operadores ferroviários — os potenciais clientes neste caso. Em caso de sucesso, EMEF e CP serão bons candidatos para adquirir o serviço. A relação umbilical que existe entre empresas, e que permite que a Nomad Tech teste gratuitamente muitas soluções nas duas, não será suficiente para usufruir desta inovação. Há que pagar, porque em causa está um produto desenvolvido por um consórcio, explica Sílvia Perfeito.

E a potencialidade é gigante. Na Europa há 215.720 quilómetros de caminhos-de-ferro, sendo que todos os anos 4.300 ficam danificados.

Artigo revisto às 17:12 de quinta-feira

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