Novo Banco: Lone Star convida Amorim, Sonae, Jerónimo Martins e Violas

  • ECO
  • 15 Fevereiro 2017

O fundo americano está a convidar grupos empresariais portugueses a assumirem uma posição no capital do Novo Banco. Amorim, Sonae, Jerónimo Martins e Violas estão na lista.

O fundo Lone Star está determinado a comprar o Novo Banco. E para demonstrar ao Governo que não é um mero fundo abutre, está a convidar empresas portuguesas para assumirem uma posição no capital da instituição no âmbito do processo de aquisição do banco de resolução. Amorim, Sonae, Jerónimo Martins e o Grupo Violas estão entre os destinatários de uma carta enviada pelo fundo.

Nessa carta, citada por vários órgãos de informação nacionais, entre eles o Público (acesso condicionado), o fundo norte-americano convida os “potenciais co-investidores a considerarem participar, juntamente com a Lone Star, no controlo de longo prazo do Novo Banco e, desta forma, partilhar dos benefícios resultantes da recapitalização e da reestruturação previstas”.

Os grupos Amorim, Sonae, Jerónimo Martins fazem parte da meia dúzia de empresas contactadas pelo fundo, sendo que também o grupo Violas, que vendeu a sua posição no BPI no âmbito da OPA do CaixaBank, foi contactado. Recorde-se que Violas tinha sido dado como alinhado da Apollo, outro fundo norte-americano, na corrida à compra do Novo Banco.

Banco focado nas empresas

O convite às empresas portuguesas é feito para que participem no capital de um banco que a Lone Star pretende manter como um todo — garante que não será retalhado para posterior venda como é hábito fazerem os fundos abutre — e ao serviço da economia, nomeadamente através do financiamento de empresas.

O plano referido na carta prevê a concessão de seis mil milhões de euros de crédito por ano a empresas portuguesas, dos quais quatro mil milhões destinados a pequenas e médias empresas (PME) nacionais. Isto ao mesmo tempo que o fundo reduz a exposição internacional, embora assegure a manutenção do negócio em Espanha.

Bolsa? Sim, mas mais tarde..

A Lone Star mostra, nesta carta, que quer ficar com o Novo Banco, assumindo que esta será uma aposta de longo prazo. Compromete-se, se houver negócio, em manter a sua posição no banco durante oito a dez anos, sendo que depois o objetivo será o de dispersar parte do capital na bolsa de Lisboa.

… e partilha de risco com o Estado

O convite às empresas portuguesas faz parte de um plano mais vasto. Como o ECO revelou em primeiro mão, o Lone Star está disponível para abdicar da exigência de uma garantia de Estado, mas continua a exigir uma partilha de risco com o Estado. Uma solução em estudo pelo governo e pelo Banco de Portugal é a possibilidade de o próprio Estado ficar com uma participação minoritária no Novo Banco, ao lado do Lone Star e, eventualmente, de algum grupo português disponível a aceitar o desafio agora conhecido.

A maioria do capital terá de ser sempre de Lone Star, para o Novo Banco deixar de ser um ‘banco de transição’, e, neste contexto, o governo está a negociar com o Eurostat uma solução que permita que o apuramento do impacto dessa operação no défice seja feito apenas quando se efetivar uma venda posterior da posição do Estado, revelaram ao ECO várias fontes conhecedoras do processo.

Esta partilha de risco entre o Lone Star e o próprio Estado é um processo complexo. Desde logo, é necessário definir que entidade do Estado poderá entrar no negócio. Segundo revelou o Público, poderia ser mesmo o Fundo de Resolução a ficar com uma participação de 25% no Novo Banco, mas isso, do ponto de vista de impacto nas contas públicas, teria o mesmo efeito de qualquer outra entidade pública. É que o Fundo de Resolução é financiado pelos bancos do sistema, mas é uma entidade que integra as Administrações Públicas. Mas há outro problema: O Fundo de Resolução é um veículo alimentado pelos outros bancos e, a concretizar-se este modelo, estariam a financiar um concorrente. Pior, sem as limitações que existem hoje, por exemplo, do ponto de vista comercial por ser um banco de transição.

Esta é mais uma semana decisiva, os responsáveis do Lone Star estão em Lisboa para mais uma ronda de negociações com o Banco de Portugal e em contactos com o governo.

 

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