EUA: Trump pode dar “apreciação justa” aos Açores

Ao ECO, o congressista republicano lusodescendente defende a lei anti-imigração e uma "apreciação justa" para a base das Lajes. Devin Nunes é próximo da Administração que está há um mês em funções.

Um mês depois da nova Administração estar em funções, o republicano lusodescendente continua a defender as políticas de Trump, da economia à imigração. Em relação a Portugal, Devin Nunes afirma, em resposta por e-mail ao ECO, que espera que Trump faça uma “apreciação justa” à base das Lajes, nos Açores. Entretanto, o Governo já anunciou que vai propor à nova Administração a criação de uma base aeronaval no local.

Devin Nunes, congressista republicano lusodescente, fez parte da equipa de transição de Donald Trump e é o atual presidente do Comité de Serviços Informação da Câmara dos Representantes.© 2015 Bloomberg Finance LP

“O Congresso norte-americano fez múltiplos apelos à Administração de Obama para considerar o valor estratégico da base e se este seria o local adequado para o ‘Joint Intelligence Analysis Center’ que o Pentágono planeia criar”, explica Devin Nunes ao ECO, revelando que esses apelos vão continuar a ser direcionados para a nova Administração. Como é o Congresso — atualmente com maioria republicana — quem controla as despesas militares norte-americanas, o lusodescendente espera que a nova Administração faça uma “apreciação justa” à base das Lajes, nos Açores, a ilha que viu nascer os seus bisavôs.

No sábado, o Expresso (acesso pago) noticiou que os movimentos também se verificam deste lado do Atlântico. Segundo o semanário, Portugal vai propor aos Estados Unidos a criação de um Centro de Segurança Atlântico de vigilância marítima multinacional. Na agenda da próxima reunião entre os dois países, que ocorre em maio, o futuro da base das Lajes volta a estar em cima da mesa, revelou o ministro dos Negócios Estrangeiros. Santos Silva disse ainda que exclui a participação da China, o que contrasta com as visitas que os oficiais chineses têm feito aos Açores.

Adicionalmente, Devin Nunes revela ao ECO que quer que os Estados Unidos voltem a ser o polícia do mundo. “Gostaria de ver os EUA a recuperar as suas capacidades dissuasoras para enfrentar os agressores internacionais”, defende, referindo que essas habilidades têm sido “erodidas” nos últimos anos. O congressista republicano refere que não vê nenhuma indicação de que a Administração Trump tenha a intenção de cortar o investimento militar.

Entre a imigração e a economia

O atual presidente do Comité de Serviços Informação da Câmara dos Representantes responde ao ECO que “a pausa temporária” na admissão de refugiados decretada pelo Presidente Trump “foi uma medida de bom senso para proteger os americanos” enquanto melhoram “o processo de verificação de segurança”. Em causa, argumenta, estão as intenções “explícitas” de grupos de jihadistas de infiltrar terroristas nos fluxos de refugiados.

“Pessoalmente, prefiro fazer isto agora do que esperar por um ataque às massas e só depois melhorar o nosso processo de verificação” de segurança, explica. A opinião de fechar as fronteiras não se estende, pelo menos de forma tão agressiva, à circulação de bens e serviços: “No caso das trocas comerciais, acredito que a chave para a expansão do livre comércio é primeiro fazer uma reforma fiscal”, aponta Devin Nunes, argumentando que “se conseguirmos fazer isso, iremos remover muitas das desvantagens competitivas que os EUA enfrentam e fazer com que seja muito mais fácil assinar novos acordos comerciais“.

No Congresso, a prioridade do republicano lusodescendente próximo da nova Administração é exatamente a reforma fiscal, um elemento que, defende, está ligado à expansão do comércio mas também do crescimento económico. “Não acredito que as políticas do Presidente Trump vão magoar a economia de forma alguma”, afirma. Pelo contrário: “Se ele implementar as suas políticas e substituir o Obamacare, acabar com a regulação desnecessária, e especialmente implementar uma reforma fiscal abrangente, nós viremos a ter um imenso crescimento económico“.

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