Donald Trump cria instabilidade nas empresas portuguesas

  • Lusa
  • 18 Fevereiro 2017

A Câmara do Comércio Americana em Portugal alerta para um sentimento de incerteza e de instabilidade das empresas portuguesas face à nova realidade política dos Estados Unidos.

A Câmara do Comércio Americana em Portugal está a notar um sentimento de incerteza e de instabilidade das empresas portuguesas face à nova realidade política dos Estados Unidos, com a eleição de Donald Trump. “Em termos práticos ainda passou pouco tempo mas há uma diferença em relação à forma de olhar e um sentimento de incerteza e de instabilidade. É necessário esperar para perceber como é que as coisas vão funcionar daqui para a frente”, disse à agência Lusa a secretária-geral da Câmara do Comércio.

Graça Didier contou que a instituição aguarda com expectativa os efeitos da nova administração norte-americana, depois do aumento das exportações portuguesas para os EUA nos últimos anos. “Tudo leva a crer que efetivamente vai verificar-se um fechar da economia americana ao comércio internacional”, referiu, adiantando que “nas últimas semanas têm sido visíveis movimentos adversários aos acordos do livre comércio”. A “posição ainda não é clara”, esclareceu.

Para a secretária-geral da Câmara de Comércio Americana, os Estados Unidos podem vir a “fechar-se” aos produtos estrangeiros, havendo, no entanto, dúvidas sobre o protecionismo. “Em relação aos produtos chineses parece claro, mas ainda há incertezas em relação aos produtos europeus”, disse referindo que a União Europeia deve fazer chegar à nova administração norte-americana a vontade de continuar a trabalhar e manter a relação entre os dois blocos nas vertentes económica e comercial.

A responsável pela instituição com sede em Lisboa recorda que os Estados Unidos já têm tradicionalmente políticas restritivas mas “pode ser que a situação venha a ser ainda mais notada” porque muitos contratos a nível estadual e federal [nos Estados Unidos] são fechados e dirigidos a empresas norte-americanas. Segundo Graça Didier, nos últimos tempos verificou-se um aumento “significativo” das exportações portuguesas para os Estados Unidos que passaram a ser o país, fora da União Europeia, para onde as empresas portuguesas mais exportam.

Tudo leva a crer que efetivamente vai verificar-se um fechar da economia americana ao comércio internacional.

Graça Didier

Secretária-geral da Câmara do Comércio Americana em Portugal

Os Estados Unidos estão em quinto lugar na lista global dos países recetores das exportações portuguesas, ganhando lugares relativamente aos últimos anos sendo que o crescimento das exportações quase duplicou, em muitas áreas, nos últimos anos. “Havia uma dinâmica percetível de Portugal para os Estados Unidos que está relacionada com o empenho dos empresários portugueses em termos de exportações e também pela valorização do dólar face ao euro que tornou os produtos europeus, e também os portugueses, mais apetecíveis e concorrentes”, nota Graça Didier.

A instabilidade de outros mercados a nível internacional fez também como que os empresários portugueses tivessem encarado o mercado norte-americano, mais seguro em relação a outros destinos. Passadas quatro semanas sobre a tomada de posse de Donald Trump, “não há ainda nada em contrário”, diz a responsável adiantando que existe “expectativa” em virtude das declarações da nova Administração. “É preciso ver como é que o relacionamento se pode desenvolver no futuro”, conclui.

Donald Trump tomou posse como presidente dos Estados Unidos no dia 20 de janeiro tendo tomado posições polémicas em matérias como segurança interna, imigração, política externa e comercial, sobretudo em relação ao México.

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