Como funciona o processo de impeachment a Donald Trump?

Começou o processo que poderá levar à destituição do Presidente dos EUA, Donald Trump. Saiba quais são os próximos passos e do que depende o sucesso ou o insucesso do inquérito.

Está oficialmente lançado o inquérito que poderá culminar no impeachment do Presidente dos EUA, Donald Trump. Quais os próximos passos e como funciona este processo?

Em 2016, mal Trump tinha acabado de assumir a pasta e já se falava em impeachment, com os Democratas a acusarem o polémico investidor imobiliário de não estar preparado para desempenhar a função. Trata-se de um complexo mecanismo previsto na Constituição norte-americana para retirar um Presidente eleito do poder quando estão em causa atos de traição à pátria, suborno ou outros crimes de maior gravidade.

Um telefonema suspeito entre Donald Trump e o homólogo ucraniano, no qual o Presidente dos EUA aparenta pressionar Volodymyr Zelensky a investigar o democrata Joe Biden, e do qual ainda não se conhece o conteúdo de forma exata, levou a porta-voz da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, a anunciar a abertura do inquérito para o processo de impeachment. Dias antes da conversa telefónica, Trump congelou um pagamento de ajudas à Ucrânia no valor de centenas de milhões, uma decisão que está agora sob escrutínio.

Alguns republicanos têm apontado que a mera abertura do processo ainda tem de passar pela aprovação da Câmara, mas Nancy Pelosi já terá apoio maioritário para avançar com o inquérito que poderá levar ao afastamento do Presidente. Tendo isso em conta, os próximos passos deverão ser os seguintes, de acordo com informação compilada pelo The New York Times (acesso pago):

  • Os seis comités da Câmara dos Representantes vão enviar para o Comité Judicial os casos mais graves que impliquem o Presidente. O objetivo é construir uma base sólida para lançar a votação do impeachment. Depois, há dois caminhos possíveis: se não existir uma base sólida, o processo extingue-se sem votação. Se o caso for suficientemente sólido, os indícios são remetidos à Câmara, atualmente controlada pelo Partido Democrata.
  • É então organizada uma votação na Câmara dos Representantes sobre um ou mais artigos do impeachment. Se a maioria recusar o impeachment, Trump continua no poder. Se a maioria considerar que o processo deve avançar, é então aberto o julgamento do impeachment de Trump no Senado, controlado atualmente pelo Partido Republicano.
  • O Senado leva a cabo o julgamento das ações do Presidente dos EUA e dá-se nova votação. Se dois terços dos senadores votarem a favor de Donald Trump, o magnata mantém-se na liderança da Administração. Se dois terços votarem pela condenação do Presidente, Donald Trump é automaticamente destituído do poder.

Não é certo que a decisão de Nancy Pelosi de avançar com a abertura do inquérito para o impeachment vá mesmo levar à destituição de Donald Trump. O principal entrave à destituição deverá ser o Senado, controlado pelos republicanos: uma aprovação final do impeachment significaria que o Presidente republicano perdera o apoio do próprio partido que o elegeu.

Para já, o anúncio da porta-voz da Câmara dos Representantes, que pressupõe que o Partido Democrata já tem uma base sólida para fazer o processo chegar pelo menos até ao Senado, está a ter um impacto negativo nos mercados. Os investidores temem uma crise política no país, pelo que estão a fugir das ações, procurando ativos-refúgio.

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

Comentários ({{ total }})

Como funciona o processo de impeachment a Donald Trump?

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião