Ryanair acredita que aeroporto do Montijo poderia operar no verão de 2018

  • Lusa
  • 22 Fevereiro 2017

A companhia low cost Ryanair criticou o Governo por demorar quatro anos para colocar a base de Montijo como aeroporto complementar de Lisboa. Diz que seria possível operacionalizar base já em 2018.

A companhia aérea Ryanair criticou hoje que o Governo demore quatro anos até colocar a base do Montijo como aeroporto complementar de Lisboa, referindo ser possível que as operações tivessem início no verão de 2018.

Em conferência de imprensa para apresentar o “calendário inverno 2017” em Lisboa, o presidente executivo da companhia irlandesa de baixo custo, Michael O’Leary, questionou as razões pelas quais os estudos se vão arrastar “por quatro anos”.

O dirigente referiu que irá “encorajar o Governo português para abrir o Montijo antes dos quatro anos, e sim a tempo do verão de 2018”.

“Quatro anos para fazer um estudo? Por que não telefonam à Ryanair? Podiam ter o estudo pela hora de almoço, mas a ANA não quer o estudo pela hora de almoço e não quer a capacidade aberta no Montijo hoje”, argumentou ainda.

A transferência das companhias para o Montijo vai depender apenas dos “preços oferecidos”, considerou o responsável, acrescentando que a grande vantagem no Montijo é um “maior espaço” que permitirá crescer, ao contrário da infraestrutura atual de Lisboa.

“Se no Montijo for cobrado metade do preço em relação à Portela, então muitas companhias aéreas, como a Ryanair, e provavelmente a easyJet, vão para lá”, anteviu o dirigente, que referiu ainda não ter decidido se muda a operação para a margem Sul do rio Tejo.

"Se no Montijo for cobrado metade do preço em relação à Portela, então muitas companhias aéreas, como a Ryanair, e provavelmente a easyJet, vão para lá.”

Michael O’Leary

CEO da Ryanair

Aos jornalistas, O’Leary lembrou já funcionar no Montijo a base aérea militar, pelo que “suspeita que a ANA, juntamente com o Governo português, está a tentar adiar a abertura” ao movimento comercial.

O responsável questionou a razão de a ANA-Aeroportos de Portugal, gerida pela VINCI, planear gastar 250 milhões de euros e comentou que o “problema da privatização da ANA é que dá à VINCI um género de controlo sobre o Montijo”.

O’Leary também criticou a intenção da ANA em aumentar em 4% as taxas no aeroporto Humberto Delgado e, apontando, para o braço lesionado que levava ao peito, explicou que “é o resultado de discordar de um monopólio”.

“Nós perdemos. Eles torcem o braço até nós dizermos: sim, nós pagamos a subida de 4%”, resumiu o dirigente, acusando ainda a ANA de “artificialmente conter a capacidade da Portela”.

O responsável falava na apresentação do “calendário de inverno Lisboa 2017”, que inclui 26 rotas, das quais três novas rotas para Baden (Alemanha), Bruxelas (Charleroi) e Cracóvia.

Do calendário constam também seis rotas novas de inverno para Bolonha (Itália), Glasgow (Escócia), Luxemburgo, Nápoles (Itália), Toulouse (França) e Breslávia (Polónia).

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