Sócrates: Bava e Granadeiro vieram “encher” o processo

O ex-primeiro-ministro considera que o Ministério Público constituiu os ex-presidentes da PT arguidos na Operação Marquês para "encher" um processo que, na sua opinião "está vazio".

O antigo primeiro-ministro José Sócrates considera que Zeinal Bava e Henrique Granadeiro foram constituídos arguidos na Operação Marquês para “encher” um processo que “está vazio”.

Numa entrevista à TVI de reação ao livro publicado pelo ex-Chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, Sócrates sublinha a “consonância” entre “as insinuações do senhor Presidente da República e as suspeitas do Ministério Público”, que neste inquérito tem “uma motivação política”.

Comecei a reparar numa certa consonância entre as insinuações do senhor Presidente da República e as suspeitas do Ministério Público.

José Sócrates

Antigo primeiro-ministro

Num ataque à forma como o processo tem sido conduzido, Sócrates defende que as suspeitas que incidem agora sobre a PT são “tão infundadas como foram as referentes ao Grupo Lena, Parque Escolar e Vale de Lobo”.

Zeinal Bava e Henrique Granadeiro “estavam a ser investigados no âmbito da Rioforte e da PT e agora foram trazidos para este processo para encher um processo que está vazio”, defendeu José Sócrates.

José Sócrates, na entrevista conduzida por Judite de Sousa, rejeita a suspeita do Ministério Público de que alegadamente teria influenciado a posição da Caixa Geral de Depósitos na OPA da Sonae à PT. “É falso”, frisa o ex-governante, argumentando que a OPA teria sido chumbada, mesmo que a Caixa tivesse votado a favor da mesma.

No seu livro “Quintas-feiras e outros dias”, o ex-Presidente da República diz que o ex-primeiro-ministro terá pedido ao banco público para dar garantias “de avultado montante” a “uma certa empresa”. “É mentira”, diz Sócrates, numa das muitas vezes que acusou Cavaco de faltar à verdade no livro. “Nunca a Caixa prestou uma garantia bancária a uma empresa que tenha concorrido à Transmontana”. Além disso, acrescentou, o concurso foi em 2007 e não em 2009 como refere o ex-Chefe de Estado.

Sócrates acusa Cavaco de “faltar à verdade”

Sócrates acusa ainda Cavaco Silva de mentir a propósito do episódio das alegadas escutas e dá como provas um email do então assessor do Chefe de Estado, Fernando Lima, e o próprio livro de memórias do mesmo que apresentam versões diferentes das que Cavaco apresenta. O episódio que, segundo José Sócrates, “marcou o ponto de viragem nas relações” com o Chefe de Estado.

“Um livro inusitado e extraordinário” que revela a falta de “sentido de Estado” de Cavaco. “Nunca um ex-presidente da República escreveu um livro a relatar as com o primeiro-ministro”, aponta Sócrates, “o mínimo sentido de Estado levou os Presidentes a nunca referir essas conversas”. “E tinham boas razões para isso”, acrescenta. Além de que, “o problema não é apenas ter revelado essas conversas. É deturpá-las e faltar à verdade”.

Cavaco Silva, na entrevista à RTP para apresentar o seu livro de memórias, garante que não teve quaisquer dilemas morais em revelar essas conversas porque estava “a preencher uma lacuna que existe no país no exercício dos poderes presidenciais”. Além de que “as conversas eram privadas não secretas”. Para Cavaco o livro não é “um ajuste de contas” com ninguém, mas antes “o prestar contas aos portugueses pelo desempenho de cargos públicos”, algo que considera ser seu “dever”.

Para Sócrates “há memórias e há bisbilhotice política”, categoria na qual encaixa o livro “Quintas-feiras e outros dias”.

Este livro não passa de um traiçoeiro, de um vil e de um mesquinho ataque contra mim. Isto não se trata de nenhuma prestação de contas, isto trata-se de um ataque político a um adversário.

José Sócrates

Antigo primeiro-ministro

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