Sérgio Monteiro sai do Banco de Portugal e passa a consultor

O gestor foi contratado pelo Banco de Portugal para vender o Novo Banco. Agora, com o processo já nas mãos do Governo, Sérgio Monteiro deixa de ser coordenador e passa a consultor externo.

Sérgio Monteiro não renovou o contrato com o Banco de Portugal e já não é, desde o final de fevereiro, o coordenador de negociação da venda do Novo Banco, apurou o ECO junto de uma fonte do setor. O gestor, que estava nesta função desde novembro de 2015 e que, contratualmente, poderia manter-se por mais dois meses, até ao final de abril, vai continuar ligado à operação, mas como consultor técnico externo.

A decisão de Sérgio Monteiro resulta, claro, do fim das negociações entre o Banco de Portugal e o fundo Lone Star e a decisão do supervisor de comunicar ao governo que deveria haver negociações exclusivas com aquele fundo americano para a compra do Novo Banco. A partir desse dia, 17 de fevereiro, as negociações para a venda do Novo Banco passaram a ser ‘dominadas’ pelo governo e, particularmente, por Mário Centeno e pelo secretário de Estado Mourinho Félix, com as autoridades europeias.

Ainda assim, também por pressão do Banco de Portugal e das instâncias europeias, especialmente do BCE, o gestor vai continuar a dar apoio técnico à venda do Novo Banco e, por isso, vai manter um regime de colaboração técnica com o Banco de Portugal até ao closing da operação. A mesma fonte revelou ao ECO que, neste contexto, a remuneração de Sérgio Monteiro vai ser reduzida de forma significativa em relação aos cerca de 25 mil euros que auferiu até ao final de fevereiro.

Contactado pelo ECO, Sérgio Monteiro escusou-se a fazer quaisquer comentários e o Banco de Portugal também.

Sérgio Monteiro foi contratado por Carlos Costa para liderar as negociações com os candidatos à compra do Novo Banco por um período de 12 meses, com um salário de 25,4 mil euros brutos por mês. Em novembro, quando ainda corriam negociações com três candidatos à compra, o contrato foi prolongado por seis meses, mas dividido: três meses, até janeiro, e posteriormente, uma renovação mensal até ao limite de mais três meses. A ideia, claro, foi ajustar a duração do contrato à própria negociação.

No dia 4 de janeiro, o Banco de Portugal anunciou ao mercado que o Lone Star tinha a proposta mais competitiva pelo Novo Banco, mas, nessa altura, o consórcio Apollo/Centerbridge ainda estava na corrida. As negociações continuaram no Banco de Portugal e, por isso, no final de janeiro, o Banco de Portugal renovou o contrato por mais um mês.

O desfecho das negociações e a escolha de um candidato que poderia, depois, negociar diretamente com o governo em regime de exclusividade levou o gestor a considerar que já não se justificava a permanência em funções de coordenação.

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