Carlos Costa: Lone Star é “um acionista forte para o Novo Banco”

  • ECO
  • 9 Março 2017

O governador do Banco de Portugal está confiante na venda do Novo Banco ao Lone Star e acredita que o fundo norte-americano seria "um acionista forte" e traria estabilidade ao sistema financeiro.

Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, está confiante na venda do Novo Banco ao Lone Star, acreditando que o fundo norte-americano seria “um acionista forte” para o banco de transição e traria estabilidade ao sistema financeiro nacional.

“Estou confiante que sim, o primeiro-ministro também disse que sim. Seria muito bom para a estabilidade do sistema financeiro que a operação se concretizasse”, referiu Costa na segunda parte da entrevista ao Público (acesso pago).

Depois de salientar os reforços de capital da Caixa Geral de Depósitos e BCP e ainda a aquisição do BPI pelo espanhol La Caixa, o governador declarou: “Se tivermos a seguir o Novo Banco com um acionista forte, que além disso assegura diversidade do ponto de vista de origem dos capitais, que assume um plano de negócios consistente com o financiamento da economia e com a estabilidade financeira. E se depois, em cima disso, conseguirmos (como estamos a conseguir) que a Caixa Económica se revele uma entidade forte, estamos com um plano de estabilização do sistema financeiro em plena marcha”.

O processo de venda do Novo Banco deverá ficar fechado nas próximas semanas. Nesta altura, decorrem as negociações com Bruxelas, nomeadamente com a DGcomp, a autoridade da concorrência europeia, para avaliar se o modelo de alienação do banco poderá ser realizado com o Estado a permanecer no capital da instituição, com 25%, permitindo que o Novo Banco deixe de ser considerado um banco de transição.

“Caixa Económica está estabilizada”

Na mesma entrevista, Carlos Costa assegurou que a Caixa Económica, o banco da associação mutualista Montepio Geral, “está estabilizada”, estando neste momento “num processo de reformulação do modelo de governo”. “Tem uma administração profissionalizada e está a dar passos sérios no sentido de se transformar num pilar financeiro do terceiro setor”, disse o governador.

Para o supervisor, mais importante do que os problemas do acionista, “é assegurar que o banco não está exposto ao acionista”. “Essa é que é a raiz do contágio. Se um acionista tiver dificuldades, vende ações e a sua participação sem afetar o banco. Só afeta se ele também beneficiar de crédito. O crédito entre entidades relacionadas não pode ser aceite”, explicou Costa.

"A Caixa Económica está estabilizada, está num processo de reformulação do modelo de governo, tem uma administração profissionalizada.”

Carlos Costa

Governador do Banco de Portugal

E é possível que um caso como o BES se repita hoje em dia? “Podemos ter a garantia hoje de que há mecanismos de seguimento muito mais potentes do que havia nessa época. Temos a garantia de que hoje há uma grande atenção aos efeitos de euforia, nas fases de expansão, de forma a limitar bolhas creditícias e bolhas imobiliárias. Podemos ter a garantia de que há instrumentos de intervenção, se a questão for detetada a tempo. Ninguém pode pensar que antecipa o ato antes de ele ser produzido”, considerou o governador.

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