Montepio: Supervisor e Governo em silêncio mas deputados querem esclarecimentos

  • Margarida Peixoto
  • 14 Março 2017

Os deputados vão aproveitar as idas do governador ao Parlamento por causa do BES para confrontá-lo com as dúvidas sobre o que se passa no Montepio. Supervisor e Governo em silêncio.

Perante as dúvidas levantadas sobre a robustez do Montepio, o Ministério do Trabalho e o Banco de Portugal preferiram, até ao momento, manter-se em silêncio. Contudo, o PS e o PSD garantem que estão a acompanhar a situação e que vão pedir esclarecimentos ao governador Carlos Costa, na sua próxima ida ao Parlamento. Os social-democratas adiantam que também vão questionar o ministro das Finanças sobre o assunto.

“O governador virá brevemente ao Parlamento. Estes são sempre temas a incluir nas audições”, assegurou ao ECO João Galamba, deputado socialista, referindo-se às duas audições que estão previstas a Carlos Costa sobre o caso BES. “O Banco de Portugal acompanha o Montepio, por isso esperamos pelos seus esclarecimentos”, somou, sem querer adiantar mais detalhes sobre as preocupações concretas do PS.

"O governador virá brevemente ao Parlamento. Estes são sempre temas a incluir nas audições.”

João Galamba

Deputado do PS

“As notícias têm sempre que nos preocupar”, reconheceu Duarte Pacheco, deputado do PSD. “Não vamos ficar indiferentes, aproveitaremos as idas do governador do Banco de Portugal e do Ministro das Finanças ao Parlamento para colocar questões sobre o assunto”, garantiu, sublinhando que os social-democratas esperam receber informação, “dentro do que for possível revelar”.

"As notícias têm sempre que nos preocupar. Não vamos ficar indiferentes, aproveitaremos as idas do governador do Banco de Portugal e do Ministro das Finanças ao parlamento para colocar questões sobre o assunto.”

Duarte Pacheco

Deputado do PSD

Pelo CDS-PP, Cecília Meireles garantiu que também está a acompanhar o caso, mas não quis adiantar para já a posição dos centristas. Até ao momento ainda não foi possível obter reações do BE e do PCP.

Em causa está uma notícia do Expresso, publicada no sábado, que dá conta de uma carta do Banco de Portugal onde são feitos alertas sobre o nível de “risco elevado” do banco. Entre outras falhas, nomeadamente de prestação de informação, o supervisor identificou irregularidades na concessão de crédito — por exemplo, operações aprovadas contra o parecer da análise de risco, sem que tenham sido suficientemente fundamentadas.

Fonte oficial do Montepio já garantiu que aquela situação não reflete o banco em 2016, mas antes em 2015. E o mesmo foi dito pelo próprio José Félix Morgado, presidente do conselho de administração do banco, num comunicado interno, enviado aos colaboradores.

O ECO também já confirmou que a avaliação do supervisor teve por base dados de 2015. Ainda assim, nem o banco, nem o regulador clarificaram, até ao momento, que irregularidades, em concreto, foram já corrigidas e que falhas se encontram por resolver.

Confrontados pelo ECO, o Ministério do Trabalho — que supervisiona o acionista do Montepio e alguns do produtos vendidos aos balcões do banco — e o Banco de Portugal optaram por não comentar o assunto.

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