Custo das emissões do Estado sobe para 3,4% este ano

Fruto das condições mais adversas do mercado, o custo da nova dívida de Portugal aumentou dos 2,5% para os 3,4% no início deste ano.

Cada ida de Portugal ao mercado de dívida desde o início do ano está a custar mais aos cofres públicos. O IGCP quantificou esta quinta-feira o aumento dos encargos com as novas emissões realizadas este ano: o custo médio da nova dívida emitida em 2017 subiu para 3,4%, face à taxa de 2,5% que o Tesouro português pagou em média no ano passado.

Portugal já arrecadou pouco mais de um terço do financiamento de longo prazo previsto para 2017. Mas as condições que tem encontrado desde o início do ano têm sido mais adversas, ao ponto de atirar o custo da nova dívida para máximos desde 2014, ano em que a taxa se fixou nos 3,6%, segundo o boletim mensal do instituto que gere a dívida pública.

Além disso, o custo médio das novas emissões encontra-se já acima do custo médio do stock da dívida, que se situava no final do ano passado nos 3,2%.

Custo da dívida direta do Estado

Fonte: IGCP (valores em %)

Desde o início do ano, a agência que gere a dívida pública já angariou um total de 5.292 milhões de euros com a venda de Obrigações do Tesouro, com custos mais elevados. Durante o mesmo período, também levantou 4,25 mil milhões em Bilhetes do Tesouro.

Os analistas têm desvalorizado esta subida dos encargos com a nova dívida. A equipa de research do BPI dizia esta semana que “em 2017, apesar da previsível subida no custo da dívida emitida, não deve haver haver motivos para preocupações face às taxas de juro atuais, tendo em conta que a taxa de juro média paga pelo Estado português está bem ancorada abaixo de 4%”.

“Mesmo assumindo um custo hipotético de 5,5% nas futuras emissões (média anual), será preciso chegar até 2019 para a taxa de juro média superar os 4%”, reforçou o BPI.

O aumento do custo de financiamento acompanha o agravamento das taxas de juro praticadas em mercado secundário este ano. A yield implícita nas obrigações a dez anos, a referência no mercado, negoceia atualmente à volta dos 4,2%, comparados com os 3,76% registados no final de 2016.

Vários fatores têm concorrido para este aumento das taxas, desde as perspetivas para a inflação, a redução do ritmo de compras do Banco Central Europeu (BCE), até fatores mais específicos relacionados com Portugal, nomeadamente as fragilidades do setor financeiro e dúvidas sobre a sustentabilidade da dívida, conforme têm apontado regularmente as agências de notação financeira internacionais.

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