Brexit: uma “tragédia” que custará 58 mil milhões de euros

Jean-Claude Juncker classificou o Brexit de uma "tragédia", mas alertou que o Reino Unido vai ter de pagar a fatura da saída. Em causa estão os compromissos já assumidos.

Em entrevista à BBC, o Presidente da Comissão Europeia admitiu que o custo do Reino Unido sair da União é cerca de 58 mil milhões de euros (50 mil milhões de libras). Jean-Claude Juncker vai receber a carta de divórcio na próxima quarta-feira, tal como anunciou Theresa May esta semana, mas o valor final da separação deverá ainda ser “calculado cientificamente”. Esta fatura não deve ser vista como uma “multa”, adverte o líder da CE, referindo que não se pode fingir que o país nunca foi um Estado-membro. No entanto, há algo que Juncker tem a certeza: o Brexit é uma “tragédia” e um “falhanço”.

“Não se pode fingir que nunca se foi um membro da União”, alerta Jean-Claude Juncker, referindo que o Governo britânico e o Parlamento acertaram responsabilidades com os Estados-membros que devem ser honradas. “Isto não é um castigo ou uma sanção contra o Reino Unido“, garantiu na primeira entrevista após o anúncio de que a primeira-ministra britânica vai acionar o Artigo 50. Em causa estão os projetos com os quais os britânicos já se comprometeram e que não podem ficar a meio. Além disso, existem as pensões dos funcionários da UE durante o tempo em que o Reino Unido foi (e ainda é) Estado-membro.

As negociações começam a partir do momento em que o Artigo 50 entra em ação. O chefe da Comissão diz que quer encarar as conversações de uma forma “amigável”, mas sem “ingenuidade”. Para Juncker é necessário, acima de tudo, garantir o futuro dos 4,5 milhões de europeus que vivem no Reino Unido e de britânicos que vivem nos Estados-membros. “Esta questão não é uma questão de negociação, é uma questão de respeitar a dignidade humana“, argumentou, deixando avisos para os próximos dois anos de negociações entre Londres e Bruxelas.

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