Santa Casa prepara entrada no banco Montepio

  • ECO
  • 30 Março 2017

Governo vê entrada da Santa Casa de Misericórdia de Lisboa no capital do Montepio Geral "com bons olhos". Solução permite dar maior solidez ao banco.

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e outras instituições da área social poderão entrar no capital da Caixa Económica Montepio Geral (CEMG), numa solução que tem o aval do Governo e também da dona do banco, a Associação Mutualista.

Avança o Diário de Notícias (acesso livre) que Tomás Correia, presidente da Associação, tem estado em múltiplas reuniões quer com o Executivo, quer com o Banco de Portugal e a própria Santa Casa da Misericórdia, liderada por Santana Lopes, no sentido de chegar a um acordo que “poderá estar para breve”.

Contactado pelo jornal, o ministro do Trabalho e Segurança Social, Vieira da Silva, disse que vê “com bons olhos a associação da Santa Casa da Misericórdia e de outras instituições da área social à Caixa Económica Montepio Geral”.

"Vemos com bons olhos a associação da Santa Casa da Misericórdia e de outras instituições da área social à Caixa Económica Montepio Geral.”

Vieira da Silva

Ministro da Solidariedade e Segurança Social

O Montepio anunciou esta quarta-feira que registou prejuízos de 86,5 milhões de euros em 2016, um resultado bem menos negativo do que o alcançado no ano anterior, beneficiando da quebra nas dotações para o crédito malparado.

Banco tem 10% do grupo dos antigos sócios de Salgado

A CEMG detém 10,3% do grupo brasileiro Monteiro Aranha, que foi sócio de Ricardo Salgado, ex-presidente do BES, em vários negócios, adianta o Jornal de Negócios (acesso pago). Esta participação acionista foi herdada pelo banco na sequência dos empréstimos que concedeu ao Grupo Espírito Santo (GES) no primeiro semestre de 2014, quando o grupo já apresentava dificuldades financeiras.

Esta participação, diz o mesmo jornal, estava avaliada em 68 milhões de euros no final do ano passado, não tendo registado grandes alterações no seu valor até hoje. Porém, com a desvalorização do real, o banco tem registado perdas cambiais com este negócio que está denominado na divida brasileira — vale cerca de 228 milhões de reais.

A Monteiro Aranha desenvolve atividades sobretudo no setor imobiliário, petroquímica e papel.

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