Moscovici: “Há condições para a missão voltar a Atenas”

  • Marta Santos Silva e Lusa
  • 7 Abril 2017

São "boas notícias", disseram as autoridades europeias no fim da reunião do Eurogrupo em que foi acertado um plano preliminar que permitirá desbloquear a próxima tranche do resgate grego.

Pierre Moscovici, comissário europeu dos Assuntos Económicos, anunciou esta sexta-feira que a reunião dos ministros das Finanças da zona euro resultou num acordo acerca das linhas preliminares de reformas na Grécia. São “boas notícias”, disse Moscovici aos jornalistas na conferência de imprensa que se seguiu à reunião.

“Há condições para a missão voltar a Atenas. É a minha convicção de que o momento chegou de por fim à incerteza que pesa há demasiado tempo sobre a economia grega”, continuou o comissário. “O povo grego merece, depois de todos os esforços que foram feitos”.

O acordo ainda não é um acordo político completo, fez questão de sublinhar o presidente do Eurogrupo Jeroen Dijsselbloem, no princípio e no final do encontro. “Se tudo correr bem, e se a Grécia se mantiver no caminho que percorre agora, estas reformas serão implementadas em 2019 e 2020”, afirmou.

Parecia difícil que um acordo pudesse ser desbloqueado até esta sexta-feira, devido a desentendimentos entre o Governo grego, os credores europeus e o Fundo Monetário Internacional (FMI), tanto em campos como as reformas na área das pensões como no das metas orçamentais, que mesmo entre os credores não encontravam consenso. Questionado pelos jornalistas sobre se o FMI concordava com o que fora decidido hoje, Dijsselbloem foi direto: “Não poderia falar de um acordo se o FMI não concordasse”. Dijsselbloem afirmou que houve uma reunião esta terça-feira onde a maior parte dos pormenores do acordo foram decididos, e que o FMI participara nessa decisão e concordava com as linhas gerais.

Ainda não foram divulgados todos os pormenores do acordo com a Grécia. As medidas fixam-se perto do valor de 2% do PIB, disse Jeroen Dijsselbloem, e as linhas gerais estão definidas de acordo com “a dimensão, o calendário e a sequência” das políticas a aplicar. “Agora que resolvemos as grandes questões, não existe nenhuma razão substancial que impeça a missão de voltar o mais depressa possível a Atenas”, afirmou.

Nas últimas semanas, havia ainda dúvidas de que houvesse um acordo entre a Grécia e os seus credores, a União Europeia, o Banco Central Europeu, e especialmente o FMI antes desta reunião do Eurogrupo. O acordo é necessário para que possa ser concluída a segunda avaliação do terceiro resgate orçamental grego, essencial para desbloquear uma nova tranche do programa, permitindo ao país pagar de volta uma grande quantidade de dívida que vence em julho.

Governo grego espera alcançar acordo global sobre resgate antes do verão

O ministro grego das Finanças, Euricles Tsakalotos, disse esta sexta-feira esperar que a Grécia e os seus credores alcancem um acordo global antes do verão sobre as reformas que Atenas terá de aplicar. “O sentimento de urgência é partilhado por todos”, afirmou Euclides Tsakalotos, numa conferência de imprensa depois da reunião dos ministros das Finanças da zona euro (Eurogrupo).

“Há muito poucos atores, se é que há algum, que queiram uma nova crise grega e todo o mundo está centrado num acordo geral para pôr a Grécia de novo numa boa direção”, disse o ministro grego. Tsakalotos explicou que, além do regresso dos credores a Atenas para afinar os detalhes das medidas a tomar, as instituições vão começar a debater o caminho de consolidação orçamental e de alívio da dívida que deve ser tomado no médio prazo.

Sobre as medidas a tomar nos próximos anos, o ministro das Finanças grego prometeu que uma posição pelo Parlamento grego assim que possível, no qual o partido de esquerda Syriza, ao qual pertence, tem uma maioria muito estreita.

FMI aplaude “progressos importantes” alcançados

O Fundo Monetário Internacional (FMI) aplaudiu esta sexta-feira os “progressos importantes” alcançados quanto ao pacote de reformas que a Grécia deve aplicar em 2019 e 2020 para encerrar a segunda avaliação ao resgate concedido ao país. “Tem havido progressos importantes alcançados nas semanas mais recentes“, afirmou Gerry Rice, porta-voz do Fundo Monetário Internacional (FMI), após ser conhecido o acordo alcançado em Malta, onde esteve reunido o Eurogrupo.

Rice disse que ainda se mantêm algumas “questões políticas”, mas que se está num ponto em que “há boas perspetivas para concluir com êxito as negociações durante a próxima missão em Atenas”. O FMI, que ainda não confirmou se vai participar no terceiro resgate financeiro concedido à Grécia, no valor de 86 mil milhões de euros, considera fundamental que o pacto inclua um alívio da dívida grega, mas os credores europeus dizem que primeiro Atenas tem de cumprir o calendário de reformas.

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